Labirintos, mapas para o nosso centro.

Há qualquer coisa de mágico quando nos propomos a parar os nossos afazeres quotidianos e deliberadamente decidimos caminhar num labirinto. Iniciamos o percurso cheios de expectativas, não sabemos o que vamos encontrar ou se vamos encontrar alguma coisa. À medida que acertamos o passo com o compasso da nossa respiração, vários pensamentos esgueiram-se pela nossa cabeça enquanto o corpo lentamente começa a relaxar. Para o corpo é libertador não ter de pensar no caminho, o caminho já lá está é só percorrê-lo.

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Crianças a caminharem pela Paz numa réplica do labirinto de Chartres – foto por Jayada


De repente nós adultos regressamos à infância, voltamos a sentir que nos podemos entregar e confiar, tal como fazíamos com os nossos pais quando por força da idade entregávamos o nosso destino nas mãos daqueles que tinham todas as respostas. Este sentimento de confiança e guiança interior começa então a passar do corpo, para as emoções até que finalmente aquieta o pensamento.

Quando chegamos ao centro estamos mais calmos e rectos, o batimento cardíaco desacelerou e os pulmões pedem golfadas maiores de ar, transformando a nossa respiração num processo demorado e consequentemente fazendo o oxigénio viajar por áreas mais alargadas do nosso corpo. Esse sentimento de plenitude atingido no zénite do labirinto poderia facilmente ser roubado pela mente quotidiana e a urgência do relógio, mas não; não pode, porque depois de regressar ao centro há-que tomar exactamente o mesmo caminho para regressar.

Ao passar por cada recta e contornar cada curva sensação consumada vai-se assimilando como uma chuva fina que encontra o corpo desprevenido e que carinhosamente vai-se infiltrando nas roupas até chegar à pele, fazendo com que uma qualquer memória ou sensação prevaleça connosco até à saída.

Involuntariamente voltamo-nos de frente para a entrada e entregamos uma vénia sentida de agradecimento por todos os pés que há mais de quatro mil anos, por todo o mundo, percorreram ou percorrem labirintos.

Voltamos a casa sentindo-nos ligados a algo maior que nós.

Queres saber mais sobre labirintos? Tenho um site em português, visita:

http://www.labirintospelapaz.com

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