As mãos e o cérebro. O trabalho manual directamente ligado à inteligência.

Há pouco tempo descobri o livro – The Hand –  do Dr.  Frank Wilson, um neurologista que foi fundo na investigação da mão e da sua ligação ao cérebro, às emoções e até mesmo à linguagem.

E fiquei a pensar nas escolas e nos currículos escolares. Há crianças de 15 anos que nunca pegaram numa agulha para dar um ponto num pedaço de tecido. Eu pessoalmente acho grave. Não se trata de no futuro saber remendar umas meias (embora isso também seja importante), trata-se de desenvolver o cérebro, de criar sinapses que são extremamente complexas e que se desenvolvem naturalmente nas actividades que exigem tanto da motricidade fina, quando da coordenação.

Fotografias do “Encontro Bordado” – dinamizado por mim na Biblioteca Municipal  de Tábua

Agora imaginem uma sociedade onde as pessoas se juntam para “fazer” soluções, seja para tricotar uma manta para alguém doente, seja para construir um abrigo para um animal, ou para bordar desejos de amor e paz!

Como esta é uma das minhas missões, levei um desafio à professora do meu filho. Construir um painel que falasse do fio que liga o nosso coração ao coração da nossa comunidade, pedi-lhe que usasse têxteis no trabalho, uma vez que o painel ia ficar exposto na minha exposição “Os fios que nos tecem – uma viagem do individual ao colectivo”.

Este foi o resultado. A manta de retalhos no painel, foi cozida por eles com pedaços de tecido com história, para alguns foi o quadrado da primeira camisa que usaram e para outros a primeira vez que cozeram com linha e agulha. Todos ficaram a ganhar, a professora trabalhou a área de Português e Expressões, os meninos têm o trabalho deles e uma parte da sua história reconhecidos numa exposição, e eu tenho a honra de partilhar o meu espaço com eles.

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Podia começar a dissertar aqui sobre as falhas do sistema de educação e os problemas da cultura actual…

Mas prefiro deixar a mensagem de que com pequenos gestos podemos iniciar grandes mudanças, por isso inspirem-se, reúnam a comunidade local e criem coisas com as mãos, ou procurem quem o faça na vossa área de residência, às vezes ficamos em casa a pensar no que está mal e nem chegamos a perceber que há tanta coisa boa a acontecer à nossa volta!

“Quando a descoberta pessoal leva alguém a aprender a fazer alguma coisa,

 com as mãos,

 unindo movimento, pensamento e sentimento

 à busca activa de objectivos a longo prazo,

 esse alguém transforma-se significativamente e irreversivelmente.”

Dr. Frank Wilson, The Hand

 

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