“Remembering ourselves home” – Quando és chamada de volta a casa, segue o rasto da tua Lua Natal e do teu nódulo Sul.

A maioria de nós nasce num invólucro protector, uma camada fina de amor que nos protege e delimita, que faz com que o gigante mundo desconhecido de som, luzes e sombras não nos engula. Nascemos com a certeza que pertencemos ao cheiro e à voz das nossas mães, pois é isso que conhecemos quando passamos das águas do liquido amniótico para o ar da atmosfera terrestre,  à medida que vamos crescendo esse invólucro etérico vai-se ampliando, acompanhando os nossos passos pelo mundo até que chega a uma altura (e esta altura está a acontecer cada vez mais cedo), que rompemos com o invólucro protector, para partimos à descoberta do mundo por nós próprias.

É curioso como se chega à meia idade com a certeza que aquilo de que fugimos na adolescência acaba sempre por nos encontrar na vida adulta. Os padrões, as crenças, os valores do nosso berço vão sempre aparecer refletidos nas nossas experiências de vida de uma forma mais ou menos evidente, e muitas vezes é na fricção entre a visão que achamos ter para nós e a Visão Original que nasceu connosco que nos deparamos com os grandes paradoxos da vida, onde a nossa educação, as nossas crenças e o nosso coração nem sempre cantam em harmonia uns com os outros.

A verdade é que por mais que queiramos acreditar que a nossa história é nossa, ela não é exclusivamente nossa. Fazemos parte de um  Todo, somos fios que se cruzam no tecido da grande tapeçaria cósmica, fazemos parte de algo maior. E isto pode trazer-nos tanto desespero como paz. Por um lado, saber que o meu destino não está inteiramente nas minhas mãos pode fazer-me sentir sem controle sobre o que acontece na minha vida, por outro pode trazer-me paz, pois sei que não depende só de mim.

Então os livros de auto-ajuda dizem-nos que somos responsáveis pela nossa realidade, e sim somos responsáveis claro: pela maneira como escolhemos viver a nossa realidade, pela forma como  vamos agarrar nas matérias primas que trouxemos para este mundo e as vamos conjugar, recriar e fazer algo de novo e único. Mas não podemos carregar nas nossas costas toda a responsabilidade de tudo o que nos acontece, essa seria uma visão bastante egocêntrica do mundo não, colocar-nos-ia numa ilha isolada.

A verdade é que a vida é composta de grandes mistérios, uns poder-se-ão revelar, outros continuarão a ser mistérios como sempre foram.

“Remembering ourselves home” é o título de um livro que ainda não li, mas que me chamou a atenção pelo título, este título é mágico. Não há uma tradução que eu consiga fazer para português que capte tudo o que ele encerra. Relembrarmos do caminho para casa, é uma possibilidade mas não capta a profundidade do Inglês. Este título fala-me das minhas ancestrais, da minha mãe, das minhas avôs e da minha tia, de onde eu venho, da minha tribo (eu sinto que esta tribo nem sempre tem de estar diretamente relacionada com a família da mãe ou do pai, mas terá sempre um vínculo forte à nossa infância, aos nossos cuidadores e protetores). A minha tribo não é perfeita, vivo e debato-me com as crenças, a genética que herdei dela e às vezes  parece-me mais um fardo pesado que outra coisa. Vivo a mágoa (ainda) de ter tido a infância que tive e não uma diferente, de trazer tantos padrões que me limitam tanto e que (acho eu) me atrasam a caminhada. Mas quando penso em casa penso no carinho, no amor, na proteção e na sabedoria destas mulheres. Penso na força, na coragem e resiliência que herdei e até mesmo nos desafios, aqueles que elas não conseguiram ultrapassar nesta existência e que talvez eu consiga resolver pelo bem de todas, penso na minha sobrinha e nos desafios que lhe estarão destinados, aqueles que provavelmente também deixarei por resolver e na beleza de não estar só com o meu fardo, de não estar só com a minha dor.

A verdade é esta: não estamos sós neste mundo!

Vivemos tempos estranhos onde imagens flash de suposta perfeição e sabedoria nos chegam de todos os cantos, a comida perfeita e saudável, a frase espiritual inspiradora, a sabedoria de 3 minutos, parece tudo tão fácil. Não há nada que o google não ensine, e no entanto nunca fomos tão vazios, tão ansiosos e tão despreparados para o futuro. Todo o meu corpo me diz que a Humanidade vive neste momento níveis de medo altíssimos, com nunca viveu anteriormente, nem mesmo na face das grandes guerras e epidemias. O escalar das doenças mentais comprova-o.

Numa era onde temos o conhecimento na ponta dos dedos estamos a perder o discernimento, a capacidade de confiar em nós, na nossa sabedoria, na sabedoria da nossa família, dos nossos ancestrais. Achamo-nos tão diferentes dos nossos pais que nem paramos para os ouvir, parámos de pedir conselhos aos nossos  anciãos e passámos a pedi-los a estranhos, ou pior ainda a importar conselhos de pessoas que falam para o geral, sem nos ouvirem, nem nos olharem nos olhos.

Encontrar o caminho para casa é urgente para todas nós, por nós, mas acima de tudo pelos nossos filhos. Como podemos ensinar às nossas crianças a caminhar na Terra com amor e bondade se não estamos ligados a ela, se temos cada vez mais medo, se nos encolhemos cada vez mais quando ousamos olhar para o “negro futuro” de nos falam a toda a hora? Se passamos pelos grandes festivais anuais sem saber sequer o que eles significam, sem os aproveitar para nos ligarmos aos laços que nos unem às nossas tradições, à nossa cultura, ao nosso berço afetivo e ancestral, àqueles que do lado de lá do véu torcem por nós, sonham connosco.

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Encontrar o caminho para casa na Astrologia passa pela nossa Lua Natal, pela nossa casa 4 e pelo nosso nódulo Sul, por estes lugares no nosso mapa natal que nos falam de onde viemos e da nossa relação com os nossos ancestrais, passa por alimentar esta Lua, nutri-la, cuidar dela, que há-de ser diferente de pessoa para pessoa. Passa por honrar o nódulo Sul (o sitio no mapa que nos fala de onde viemos), com todas as quadraturas, as oposições, as intensidades e as incongruências características dos nódulos lunares. Para caminharmos rumo ao futuro visionado pela nossa nossa Alma é essencial alinharmo-nos com a nossa origem, respeitá-la, aceitá-la e honrá-la, apesar da dor e do desconforto. Para muitas pessoas não dá para dizer simplesmente: perdoo-te mãe, ou aceito-te pai…  mas não de trata de perdoar, trata-se de reconhecer, de trazer para a consciência, de honrar os fios que nos teceram, a história que nos trouxe até aqui, de escolher o que fazer com os materiais que nos deram à nascença, de ter voz, de ter o poder de decisão, de reclamar o caminho de volta a casa, de reclamar o direito a caminhar nesta vida enraizadas e alimentadas pela Terra e por tudo o que ela nos ensinou ao longo dos séculos.

Sejamos Universais sempre, com ramos bem altos, copas bem vastas, mas tenhamos nas nossas raízes o nosso sustento, o nosso lugar, um sítio onde voltar quando a roda da vida completar o seu ciclo e nós precisarmos de começar tudo outra vez…

Façamo-lo juntas, em círculo.

Abraço a todas!

Para o mês que vem vou começar um ciclo de círculos de Astrologia sobre os 4 elementos, se quiseres saber mais clica aqui.

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