Lua Cheia no eixo Gémeos/Sagitário dia 23 de Novembro – tempo de reclamar as tuas partes e voltar a casa.

Escrever sobra uma Lua Cheia em Gémeos com Mercúrio retrogrado não é coisa fácil!

Por isso e para ser capaz de chegar ao fim deste artigo vou ter de mudar de estratégia e abordar o tema de forma bastante diferente, talvez arriscando a quase não falar de Astrologia. Vou fazer como faço nas consultas, não vou falar em linguagem astrológica, mas a conversa que vou ter com vocês vai ser baseada na minha interpretação dos arquétipos que dançam (neste momento do ciclo mensal/anual) a dança entre Sol e Lua.

Pode ser?

Todas nós, todas as manhãs assim que despertamos começamos a alimentar a nossa mente. Começamos pelo primeiro pensamento que temos ao despertar, esse primeiro pensamento vai levar a uma cadeia em série de pensamentos que farão com que a nossa consciência semi-desperta comece a espalhar os seus tentáculos agigantando-se à medida que o dia progride, muitas vezes com muito pouca ou sem qualquer consciência da nossa parte.

Esse polvo pode tornar-se (e na grande maioria das vezes transforma-se mesmo) num animal com vontade própria, com uma fome insaciável que não conhece limites ou sequer discrimina a qualidade da comida de que se alimenta. Esse polvo é a nossa mente, o alimento é a nossa atenção.

Todos os dias a nossa mente espalha os seus tentáculos pela realidade, sem conhecer fronteiras ou limites, levando a nossa energia com ela e muitas vezes a nossa identidade também.

De repente o que eu penso não é pensado por mim, mas por este polvo gigante que irá sintonizar-se com os aspetos mais frágeis da minha sombra, ao mesmo tempo refletindo uma parte escondida de mim, claro!, mas também captando ideias e emoções de longe, muito longe da minha casa, do meu Self, fazendo-me sentir fraca, dispersa e muitas vezes confusa, como que perdida numa floresta onde o estímulo é tanto que de repente perdem-se as referências e fico sem saber como voltar a casa.


Quando tudo corre bem, ao chegar a hora de recolher, este polvo gigante vai diminuindo e na hora de deitar, conseguimos de alguma maneira processar o dia e esvaziar a mente para entrar no tempo do sonho que vem com a noite. Mas sabemos que nem sempre é assim, existe muitas vezes resistência a abrirmos mão da oponência deste polvo (especialmente quando acreditamos que nós somos o polvo), uma resistência grande a aceitar as trevas que crescem, resistência ao convite a deixar morrer para poder voltar à vida.

Queremos morrer sem perder o controle e queremos dormir sem aceitar a noite escura do Ego, assim o Ego não tem como voltar a si, ao seu tamanho, o seu lugar, à sua casa.

Não é por acaso que esta é a Lua Cheia onde potencialmente, podemos reconhecer em nós como e onde é que a nossa mente anda a resistir ao chamado da noite, ao chamado da Alma, o lugar escuro da psique onde todas as coisas são convidadas a morrer para poderem renascer novamente à luz da nova aurora, de uma renovada consciência. E não é por acaso, porque esta é a época do ano onde as trevas começam a tomar conta do tempo cronológico, onde a falta de luz começa a convidar-nos a visitarmos os lugares mais frágeis e esquecidos da nossa casa interna, paradoxalmente esta é a época do ano onde temos mais resistências em nos deixar ir.

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Desde Outubro e até ao Solstício de Inverno o ego luta contra as trevas e é na medida dessa resistência que esta Lua Cheia e a próxima podem-se tornar mais desafiantes. Esta em especial fala-nos sobre a nossa relação com este polvo que vos falei. Para poder haver uma reflexão séria acerca da qualidade desta Lua, o polvo tem de estar ao vosso serviço e não o contrário, então depois de chamar o polvo a casa, as seguintes perguntas podem ser feitas:

 

. Onde é que tenho vindo a focar a minha atenção?

. Tenho tido a capacidade de me escutar? De retirar inspiração dos meus momentos reflexivos?

. Tenho dado espaço ao silêncio na minha vida?

. Tenho dado tempo para que os estudos que faço sejam assimilados e absorvidos, ou salto de curso para curso, livro para livro, sem parar para refletir, para acomodar o conhecimento à minha história, à minha realidade?

. Com que facilidade é que a minha mente aceita voltar a casa? Voltar ao Eu, ao meu corpo, ao Presente?

. Que pensamentos tenho ao despertar pela manhã? Que pensamentos tenho ao deitar?

. De onde vem a minha opinião sobre os assuntos que mais me incomodam neste momento? Do coletivo? Da massa cultural e mental com a qual me sintonizo inconscientemente? Ou da minha verdade, da minha reflexão, do meu sentir?

. Que crenças são estas que eu alimento e qual a sua origem?

Estes são pontos de partida para aproveitar a luz desta Lua Cheia, de forma a criar mais clareza, transparência e uma melhor relação com o polvo que alimentamos todos os dias.

Colocar o polvo ao nosso serviço implica saber exatamente o que queremos quais são os nossos objetivos e mais importante:

Quais são as nossas resistências a alcançar os nossos objetivos.

É tão importante saberes onde queres chegar como teres a consciência de quais são os medos que te impedem de dar o passo, e no contexto desta Lua esses medos manifestam-se muitas vezes pela distração, por excesso de preocupação com o que os outros pensam, consumo de informação e consumo de conhecimento como fuga, entre outros…

No Curso a Arte de Tecer a Vida, aprendemos a criar uma bolsa, que transportamos connosco e onde colocamos simbolicamente o que queremos transportar connosco durante o dia, as coisas onde queremos colocar a nossa atenção, à noite esvaziamos a bolsa, para podermos esvaziar a mente e entregar-nos vazias à morte do sono.

Podes fazer o mesmo com um pequeno caderno, onde escreves de manhã o que queres transportar contigo durante o dia e onde queres colocar a tua atenção, ao fim do dia faz uma pequena reflexão sobre o correr do dia e um entregar simbólico do que carregas, de forma a que possas viajar para a terra dos sonhos sem bagagem.

Relembro que a Lua Cheia é a altura do mês para entregar, libertar, perdoar e agradecer.

Guarda os teus desejos, os teus planos e inícios para a Lua Nova. Agora é para olhar, reconhecer e libertar!

E já agora porque não aproveitar para fazer um  detox de informação?

Com carinho

Ana Alpande

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