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	<title>Arquivo de Poesia - Ana Alpande</title>
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	<description>Tecendo o Ser de Volta ao Estar</description>
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	<title>Arquivo de Poesia - Ana Alpande</title>
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		<title>Manhã Gloriosa</title>
		<link>https://anaalpande.com/manha-gloriosa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[anaalpande]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jun 2023 08:45:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Manhã GloriosaPercorro as avenidas das primeiras horas da manhã com gestos certeiros, camuflados pelos meus olhosenublados com restos de sonhos e inquietações espectrais.Perco-me por segundos na janela, enquanto a chaleira apita e a sua sirene persistente preenche o espaço vazio.O aroma familiar do caféchama por mim, distrai-me da visão do beijo sóbrio da geada sobre</p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="996" data-id="36605" src="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-1024x996.jpg" alt="" class="wp-image-36605" srcset="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-1024x996.jpg 1024w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-300x292.jpg 300w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-768x747.jpg 768w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-1536x1494.jpg 1536w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-2048x1992.jpg 2048w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-500x486.jpg 500w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/06/poema-2-600x584.jpg 600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<pre class="wp-block-verse">Manhã Gloriosa<br><br>Percorro as avenidas das primeiras horas da manhã<br> com gestos certeiros, <br>camuflados pelos meus olhos<br>enublados <br>com restos de sonhos<br> e inquietações espectrais.<br><br>Perco-me por segundos na janela,<br> enquanto a chaleira apita<br> e a sua sirene persistente<br> preenche o espaço vazio.<br><br>O aroma familiar do café<br>chama por mim, <br>distrai-me da visão do beijo sóbrio da geada<br> sobre o verde adormecido.<br><br>Não quero ir, <br>mas também não quero ficar, <br>ou melhor...<br>aquela que de mim aprendeu a ser ponteiro, <br>não consegue ignorar o alarme que se ergue <br>confiante<br>sob a chama do fogão.<br>Mas a outra, <br>a que cresceu a bailar <br>com as campainhas nos prados <br>e que se dilui nas cascatas de chuva, <br>essa quer ficar...<br><br>Essa outra acredita ser criminoso <br>abandonar o espectáculo do Sol, <br>que cuidadoso chega<br>com os seus rituais de carinho<br>que languidamente <br>desperta as folhas <br>do seu sono polar. <br><br>Como desperdiçar o momento<br>em que a rainha das neves,<br>finalmente se rende à supremacia do grande Pai? <br><br>Como desperdiçar esta generosidade<br>do abraço subtil, <br>dos seus tentáculos cuidadosos<br>que  de forma suave<br>e até mesmo carinhosa, <br>lentamente...  <br>desperta ervas, <br>flores, <br>folhas e pedras?<br><br>Na manha gloriosa, <br>os meus olhos de névoa <br>pouco a pouco <br>crescem em foco <br>e maravilhamento.<br><br>E a minha mais ardente oração<br> é sempre a mesma: <br>que os meus olhos sejam fieis, <br>sempre fieis <br>ao exercício de dizer não ao desperdício da beleza.<br>Ana Alpande<br><br>Se te identificas com que acabaste de ler, talvez queiras assinar a minha newsletter A Poética do Abraço<br><br><a href="https://anaalpande.substack.com/subscribe">https://anaalpande.substack.com/subscribe</a></pre>



<p></p>
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		<title>Saí de casa</title>
		<link>https://anaalpande.com/sai-de-casa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[anaalpande]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 16:33:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Saí de casa para escutar o meu eco livre da projecção de si mesmo. Saí de casa porque, a casa confina protege o que em mim - só sobrevive em quatro paredes. Saí de casa porque, as palavras estavam viciadas e o ar já não transbordava promessa nem possibilidade. Quem somos nós? Para lá das</p>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1024" height="680" src="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2021/02/DSC_0068-1024x680-1.jpg" alt="" class="wp-image-34407" srcset="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2021/02/DSC_0068-1024x680-1.jpg 1024w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2021/02/DSC_0068-1024x680-1-600x398.jpg 600w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2021/02/DSC_0068-1024x680-1-300x199.jpg 300w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2021/02/DSC_0068-1024x680-1-768x510.jpg 768w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2021/02/DSC_0068-1024x680-1-500x332.jpg 500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<pre class="wp-block-verse">Saí de casa
para
escutar 
o 
meu eco
livre 
da projecção de si mesmo. 

Saí de casa 
porque,
a casa
confina 
protege 
o que em mim - só 
sobrevive 
em 
quatro paredes.

Saí de casa
porque, 
as palavras 
estavam 
viciadas 
e 
o ar
já não transbordava 
promessa 
nem 
possibilidade.

Quem somos nós?
Para lá das paredes 
que confinam 
e 
protegem 
as imagens 
de nós 
mesmos.

Quem somos nós?
Quando 
o vento agride
o equilíbrio 
e
desafia 
o viciado  
sistema 
vestibular.

Quem somos nós? 
Quando 
a estrela polar
é
capaz 
de 
indicar, 
não quem somos, 
mas 
onde estamos?

Quem somos nós?
Quando 
o verbo Ser 
perde
seu obsessivo trono
e  
Estar 
passa a ser corpo, 
contorno volumoso 
relação viva 
e
co
dependente.

Seremos então, os contornos
definidos 
pelo brilho 
de 
uma estrela?

Uma dança de elementos 
imprevisível 
nascendo 
e 
morrendo
uma 
e 
outra 
vez,
enquanto 
os olhos do tempo 
derramam suas lágrimas  
ausência…

Será a estrela polar 
grande anciã

a que sustenta a lanterna, 
a que liberta o eco,
a que ilumina 
a estrada de regresso - casa? 

De regresso, 
ao coração do tempo.

Ao perigoso 
desconhecido 
agora. 

Ana Alpande
</pre>
</div></div>
</div></div>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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			</item>
		<item>
		<title>Deusa Pássaro e As Fases do Luto</title>
		<link>https://anaalpande.com/deusa-passaro-e-as-fases-do-luto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[anaalpande]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Apr 2023 19:16:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Deusa Pássaro e As Fases do Luto Debrucei-me perante o teu corpo gelado, senti o doce beijo da rainha das neves preencher a sala, espectros e presenças ancestrais. Sei que não estou sozinha. Coloco a minha mão no teu peito no abraço do silêncio reparo que não mais posso contar com o murmúrio da tua</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="819" height="1024" src="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/336727742_548563347401556_6139305627709467000_n-819x1024.jpg" alt="" class="wp-image-36511" srcset="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/336727742_548563347401556_6139305627709467000_n-819x1024.jpg 819w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/336727742_548563347401556_6139305627709467000_n-240x300.jpg 240w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/336727742_548563347401556_6139305627709467000_n-768x960.jpg 768w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/336727742_548563347401556_6139305627709467000_n-500x625.jpg 500w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/336727742_548563347401556_6139305627709467000_n-600x750.jpg 600w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/336727742_548563347401556_6139305627709467000_n.jpg 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" /></figure>



<h4 class="wp-block-heading">Deusa Pássaro e As Fases do Luto</h4>



<p>Debrucei-me perante o teu corpo gelado,</p>



<p>senti o doce beijo da rainha das neves preencher a sala, espectros e presenças ancestrais.</p>



<p>Sei <a></a>que não estou sozinha.</p>



<p>Coloco a minha mão no teu peito</p>



<p>no abraço do silêncio reparo que não mais posso contar com o murmúrio da tua respiração arrastada,</p>



<p>o estalo da realidade desperta a minha mente.</p>



<p>Olho o teu rosto, já não é o meu rosto.</p>



<p>Toco o teu cabelo, já não é o meu cabelo.</p>



<p>As peles mudaram de sítio,</p>



<p>as fibras ficaram baças e as feições que aprendi a reconhecer como casa ficaram desfeitas.</p>



<p>És tu, mas já não és nossa.</p>



<p>É quando o frio é invadido pelo soluço</p>



<p>as minhas lágrimas copiosas correm que nem jorros</p>



<p>pela tua face inanimada;</p>



<p>mas não há rio que te acorde</p>



<p>nem choro que devolva a vida</p>



<p>a este pedaço de terra que até agora ostentava o teu nome.</p>



<p>Aqui fico, quieta, e grata por estarmos sós, unidas e ao mesmo tempo separadas pelo contraste entre a minha vida e tua morte.</p>



<p>Toco a tua pele à procura de algum tipo de corrente possível</p>



<p>entre as milhares de terminações nervosas que se interceptam entre nós,</p>



<p>gravo na memória das minhas mãos as texturas finas das tuas</p>



<p>enxaguando as lágrimas e o ranho, com a manga da camisola,</p>



<p>descanso uma última vez na familiaridade do teu toque.</p>



<p>Tudo mudou, tudo muda, tudo mudará&#8230;</p>



<p>Para a semana dar-te-ei os bons dias no vento</p>



<p>serei abraçada por ti em sonhos,</p>



<p>meio humana,</p>



<p>meio animal,</p>



<p>talvez vegetal,</p>



<p>telúrica ou apenas um grande grande canto.</p>



<p></p>



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			</item>
		<item>
		<title>Reclamemos a velha</title>
		<link>https://anaalpande.com/reclamemos-a-velha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[anaalpande]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Apr 2023 19:10:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reclamemos a velha o direito a ter peles enrugadas como as cascas dos carvalhos corpos ondulados tal como as cordilheiras côncavos/convexos &#8211; radicais inconsistências… deixemos o vento e o luar pratearem os&#160; cabelos substrato das longas memórias, fios fluxo informação&#160; tecido conectivo. Reclamemos a velha aspiremos&#160; ser suspiro leve e penetrante pisar a terra com</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="206" height="206" src="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/151058787_3981888095178399_7990431056921765128_n.jpg" alt="" class="wp-image-36486" srcset="https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/151058787_3981888095178399_7990431056921765128_n.jpg 206w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/151058787_3981888095178399_7990431056921765128_n-150x150.jpg 150w, https://anaalpande.com/wp-content/uploads/2023/04/151058787_3981888095178399_7990431056921765128_n-100x100.jpg 100w" sizes="auto, (max-width: 206px) 100vw, 206px" /></figure>



<h4 class="wp-block-heading">Reclamemos a velha</h4>



<p>o direito a ter peles enrugadas como as cascas dos carvalhos</p>



<p>corpos ondulados tal como as cordilheiras</p>



<p>côncavos/convexos &#8211; radicais inconsistências…</p>



<p>deixemos o vento e o luar</p>



<p>pratearem os&nbsp; cabelos</p>



<p>substrato das longas memórias,</p>



<p>fios</p>



<p>fluxo</p>



<p>informação&nbsp;</p>



<p>tecido conectivo.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Reclamemos a velha</h4>



<p>aspiremos&nbsp; ser suspiro leve e penetrante</p>



<p>pisar a terra com a leveza dos nossos corpos desmineralizados</p>



<p>espalhando o cálcio e o magnésio pelos poros do chão que pisamos,</p>



<p>devolvendo ao solo o que é do solo: lentamente, passa a passo, balanço de anca, a balança de anca.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Reclamemos a velha</h4>



<p>saibamos ser velhas sabendo que quanto mais velha&nbsp;</p>



<p>inevitavelmente mais nova &#8211; não há como escapar da criança que somos.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Reclamemos a velha</h4>



<p>não deixemos que nos obriguem a ser o que um velho tem que ser</p>



<p>sejamos rebeldes e insubmissas, afinal&nbsp;</p>



<p>se não aproveitarmos a velhice para mandar</p>



<p>umas quantas pessoas à merda, quando o faremos?</p>



<h4 class="wp-block-heading">Reclamemos a velha,&nbsp;</h4>



<p>possamos sacudir a sabedoria dos ombros e darmo-nos ao direito a não saber,</p>



<p>nem levar nada disto demasiado a sério.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Reclamemos a velha,</h4>



<p>possamos honrar a sabedoria que nos atravessa e permeia,&nbsp;</p>



<p>não como algo nosso,&nbsp;</p>



<p>mas fluxo&nbsp;</p>



<p>neste animal poroso que somos,</p>



<p>sejamos essa sabedoria ancestral em movimento.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Reclamemos a velha,&nbsp;</h4>



<p>reclamando uma estética da decomposição que abrace a velhice&nbsp;</p>



<p>como amor e generosidade supremos,</p>



<p>generosamente libertando matéria densa&nbsp;</p>



<p>devolvendo ao&nbsp; chão comum o que&nbsp; afinal pertence a tudo e todos.</p>



<p>Afinal&nbsp;</p>



<p>a vida,&nbsp;</p>



<p>todos nós</p>



<p>o nós</p>



<p>toda a vida,</p>



<p>em cada célula, ao mesmo tempo</p>



<p>no mesmo lugar</p>



<p>uma&nbsp; velha, uma donzela e uma criança.</p>



<p>Ana Alpande</p>



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			</item>
		<item>
		<title>Crónicas Sobre O Pendular Do Tempo E O Afecto Vivo À Matéria Morta</title>
		<link>https://anaalpande.com/cronicas-sobre-o-pendular-do-tempo-e-o-afecto-vivo-a-materia-morta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[anaalpande]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2023 21:32:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[arte de tecer a vida]]></category>
		<category><![CDATA[eco-espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[vida ciclica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Crónicas Sobre O Pendular Do Tempo E O Afecto Vivo À Matéria Morta A minha avó descascava as favas com a paciência de quem é intimo do tempo, grão a grão galopava certeiramente a espessa camada verde oliva, mesmo quando esgotava a força da unha do polegar.Fazia-o por amor: amor aos da casa, amor a</p>
<p>O conteúdo <a href="https://anaalpande.com/cronicas-sobre-o-pendular-do-tempo-e-o-afecto-vivo-a-materia-morta/">Crónicas Sobre O Pendular Do Tempo E O Afecto Vivo À Matéria Morta</a> aparece primeiro em <a href="https://anaalpande.com">Ana Alpande</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading">Crónicas Sobre O Pendular Do Tempo E O Afecto Vivo À Matéria Morta</h4>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-left">A minha avó descascava as favas com a paciência de quem é intimo do tempo, grão a grão galopava certeiramente a espessa camada verde oliva, mesmo quando esgotava a força da unha do polegar.<br>Fazia-o por amor: amor aos da casa, amor a si mesma, amor ao próprio tempo e à sua condição de mulher cuja cronologia diária era ditada pelo intervalo entre refeições e a arte de nutrir corpos; os corpos da casa que ora entravam, ora saiam do espaço, enquanto pacientemente contava as ausências pelo som da Ave-Maria que ressoava na caixa de madeira escura, relógio da sala, <strong>a minha primeira introdução à inevitabilidade do pêndulo.</strong></p>
</div></div>



<p><br>A indumentária da minha avó era sempre a mesma: uma bata de tecido barato comprada na praça e uns manguitos feitos com restos de lençóis velhos para proteger as mangas dos casacos e camisolas. Acho que os primeiros pontos que dei foram nos meus primeiros manguitos, que recebi de presente aos quatro anos quando já tinha idade suficiente para subir ao banco e ajudar a minha avó a lavar as folhas de alface que o meu avô trazia da horta, ainda a cheirar a terra molhada e a corpos de insetos.<br>Aprendi com a minha avó a remendar as horas com pontos certeiros e orações simples, quase sempre responsos e ave-marias que preenchiam o espaço livre da cozinha, onde as ondas sonoras fundiam-se com os raios de sol.<br>Todo o universo da minha avó parecia girar ao redor da preparação das quatro refeições do dia, entre horas limpava, remendava e contava histórias com vividez e entusiasmo de criança.</p>



<p><br>Quando lavávamos as folhas cheias de frescura e delicadas nervuras, ou quando remendávamos os trapos com carinho e atenção parecia que estávamos suspensas no tempo, que tudo o que existia era aquele lugar, naquele momento e todo a amor que os poros de uma jovem pele pode absorver, não como uma prisão ou redução da imaginação de criança, mas como o universo do tempo-não-tempo, um outro lugar<br>da existência por onde as crianças navegam com facilidade e onde os adultos parecem não conseguir entrar. A minha avó entrava e saia com tamanha mestria que às vezes eu não tinha a certeza se ela era verdadeiramente velha ou nova, tão nova quanto eu, tão nova quanto a mais tenra folha da mais jovem alface, apaparicada pela suavidade do sol primaveril e acolhida pelo gentil orvalho.<br>Tudo naquela cozinha cheirava a refogado, maçã cozinha, gestos familiares e a um compromisso sério em dizer não ao desperdício, fosse ele de substâncias formais, estas que têm forma concreta, fosse da atenção preciosa dada às coisas que crescem, envelhecem e morrem tão devagar que quase que perdemos o a tempo passar, a fiel batida pendular do relógio que anuncia a porção de tempo que acabou de desaparecer para nunca mais voltar. <strong>A minha avó era bem ciente da trágica realidade que o tempo não se recupera</strong>, por isso vivia devagar com o vagar de quem se dá por inteiro e sabe verdadeiramente apreciar o valor da porção de vida que lhe cabe viver.</p>



<p><br>Eu nada seria sem ela.</p>



<p><br>Sem ela seria poeira suspensa num dia de vento e nevoeiro, um espectro medroso, vagueando pelo espaço do por vir a ser. Uma folha perdida da sua casa, do seu chão, levada pelo vento para lugares que nunca poderá alimentar.<br>A minha avó está em mim como o sangue, as vísceras e os ossos.</p>



<p><br>Quando morreu, morri com ela e demorei muito tempo a renascer para a realidade de não poder mais escutar a doçura rouca da sua voz ou lavar-lhe os óculos garrafais para lhe ver bem os olhos de saudade.</p>



<p><br>Renasci nós, nunca mais pessoa individual, mas colónia colectiva de afetos, traumas e memórias. Hoje sou tudo o que fomos juntas: riso, beleza, tristeza, saudade, e o amparo de saber pisar o chão por inteiro, não porque quero alguma coisa do chão, mas sim porque sou o seu projecto em constante transformação.<br>Cada vez menos eu, cada vez mais nós, uma amalgama de tecidos, espectros, fogo, espaço e as águas sagradas da memória. Essa memória que guarda a eternidade.<br>Embora esteja muito satisfeita com a finitude das coisas, <strong>não estou disposta a aceitar o fim do amor</strong>, por isso cultivo orgulhosamente a teimosia de não aceitar a morte das coisas como o fim do afeto às coisas.</p>



<p><br>É só mesmo por causa desta teimosia que afirmo que desde a matéria mais pesada, à partícula mais leve, é o amor, sempre o amor que encadeia a delicada dança da transformação.</p>



<p><br>Eu só posso aspirar a ser como a cozinha da minha avó, o espaço onde a oração ressoa e os cheiros mornos do afeto constroem paredes de memória para as próximas gerações.</p>



<p>Com carinho</p>



<p>Ana Alpande</p>



<p>Créditos da Imagem&nbsp;<a href="https://www.tiagocerveira.com/">Tiago Cerveira</a></p>



<p>Artigo publicado na minha Coluna “O Canto do Verbo” na&nbsp;<a href="https://ventoeagua.com/"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-light-green-cyan-color">Revista Vento e Água</mark></a></p>



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<p></p>
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		<title>O luto é uma expressão do Amor.</title>
		<link>https://anaalpande.com/acalento-varios-lutos-dentro-de-mim-o-luto-e-uma-expressao-do-amor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[anaalpande]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Oct 2019 21:39:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[vida ciclica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acalento vários lutos dentro de mim &#8211; o luto é uma expressão do Amor. Deixei de ter vergonha em expressar o quanto sofro com a morte dos que amo. Deixei de ter vergonha de assumir que o meu coração é tão grande que consigo conter dentro de mim o mundo e ainda assim caminhar de</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">Acalento vários lutos dentro de mim &#8211; <strong>o luto é uma expressão do Amor.</strong></p>



<p class="has-text-align-center">Deixei de ter vergonha em expressar o quanto sofro com a morte dos que amo. Deixei de ter vergonha de assumir que o meu coração é tão grande que consigo conter dentro de mim o mundo e ainda assim caminhar  de anca solta.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">O luto é uma expressão do Amor</h3>



<p class="has-text-align-center">Umas vezes carrego o mundo nos ombros, outros entrego-o ao vento, no cume da montanha mais alta, num momento de lucidez momentânea onde o meu ego finalmente entrega o que não é seu para carregar.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">O luto é uma expressão do Amor.</h3>



<p class="has-text-align-center">E permito-me amar, ah se permito, cada vez mais, sem dó nem piedade, sem medo, sem reservas, justificações ou desculpas.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">O luto é uma expressão do Amor.</h3>



<p class="has-text-align-center">Ouso sentar-me em frente a quem perdeu tudo, ouso respirar o medo surdo da  minha mente,  medo de também eu ser vítima da tragédia alheia,  como se as tragédias fossem doenças infecto-contagiosas. </p>



<p class="has-text-align-center">Sento-me no alto da minha humanidade e olho o luto dos outros nos olhos, sem medir tamanhos, sem pesar dores, sem me achar mais ou menos digna de lamentar as minhas penas, mais ou menos digna de sofrer as minhas dores.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">A dor não é uma competição&#8230; nem o luto.</h3>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">O luto é apenas uma expressão do Amor.</h3>



<p class="has-text-align-center">E há dias em que a intensidade que me rasga o peito não pode ser entendida, nem comportada pelas almas mais sábias e empáticas.</p>



<p class="has-text-align-center">Preciso subir a Serra, mergulhar as minhas lágrimas nas águas que brotam da pedra e gritar à grande Mãe:</p>



<p class="has-text-align-center">a minha dor é a tua dor, entrego-ta.</p>



<p class="has-text-align-center">o meu amor o teu amor, ofereço-to.</p>



<p class="has-text-align-center">E assim o ar generoso, a rocha firme e a água maternal reafirmam-me o que no fundo eu sempre soube.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-center">Não estou sozinha, nem no luto, nem no amor.</h3>



<p>Crédito da Imagem: Hugo Alves</p>



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