Os nossos ancestrais sonham o nosso futuro. Re-ligando os fios da pertença, activando o fogo da criatividade.

Para poder escrever neste blogue todas as semanas artigos que acrescentem algo ao nosso dia-a-dia, que inspirem reflexão e insight, eu própria preciso de ler bastante e de criar espaço dentro de mim para refletir sobre o que leio, para mastigar e digerir a informação.

Dreaming+World+was+formless+In+past+ancestors+roamed+the+earthUm dos livros que ando recentemente a ler e que me foi recomendado pela minha querida amiga e companheira de viagem na Arte de Tecer a Vida, Susan Merrill é o livro: Sacred Instrucions da autora Sherri Michell, a Sheri vive em Maine nos Eua e pertence a uma tribo de índios norte-americanos, o povo original daquela região. Eu tenho saboreado este livro bem devagar, ao falar da diáspora do seu povo, das suas crenças e da sua mitologia tão ligada à Terra, a Sherri tem-me feito pensar nos laços que nos unem a todos, e acima de tudo nos laços que me unem à minha terra e aos meus ancestrais.

Na Astrologia é a casa 4 e a Lua que me dizem como me relaciono com os meus ancestrais, o elemento do signo que abre a casa 4 pode indicar como me relaciono e  posso comunicar com a minha linhagem ancestral, pode dar pistas junto com outros elementos do mapa do meu papel na cura da minha linhagem ancestral.

No livro de que falo, a Sherri conta a história de uma amiga que ao repatriar os ossos de um ancestral, foi visitada pelo seu espírito e este disse-lhe que os ancestrais estavam ao seu lado sonhando-a no futuro; os seus ancestrais tinham vivido por ela, morrido por ela e agora estavam a sonhar por e para ela.

Isto ressoou tão fundo dentro de mim! Pensei nos laços de amor que me unem ao meu pai, à minha avó e avô, aos meus tios, e fez-me todo o sentido. O meu Pai partiu quando eu tinha 13 anos e no momento que soube da notícia tive uma rasgo de sobriedade onde foi mesmo essa a mensagem que me chegou, ele iria se juntar ao meu anjo da guarda e guardar o meu futuro, sonhar o meu futuro comigo. Durante toda a minha adolescência senti a sua mão protetora, como uma presença discreta. No entanto a Sherri refere-se não só aos parentes mais próximos  mas a toda a uma linhagem, a uma tribo. E isso confesso que é novo para mim,  até há  uns 8 anos eu não pensava assim tanto em genealogia, agora faz-me todo o sentido, todo! Trabalho com muitas mulheres onde o condicionamento genealógico se vê, se sente e é um grande tema de vida. Vejo muitas vezes com emoção curas espontâneas que abrangem tantas ramificações que de facto poem-nos a pensar nesta ilusão que temos, de que estamos separadas, de que as consequências dos nossos actos afectam apenas o imediato, um espectro limitado de anos ou apenas uma ou duas gerações.

Esta na verdade parece-me a grande diferença entre nós e os povos indígenas. Eles sentem-se ligados a todas as gerações que já vieram e às que hão-de-vir, ao passo que nós normalmente andamos duas gerações para trás e duas para a frente.

É este sentido de pertença que tanto me atraí, e vejo tantas vezes no vazio, fragmentos isolados de uma memória genealógica perdida,  tantas vezes espelhado nos mapas das Senhoras da Teia da Vida que me procuram, tantas vezes ligados aos nódulos lunares, a Plutão, a Vénus e à Lua. É esta vontade de nos trazermos de volta, de nos sentirmos inteiras em nós mesmas e ligadas ao Todo que nos faz a todas, partilharmos aboriginal-art-ideas39esta viagem juntas e estarmos aqui para nos ensinarmos e inspirarmos umas às outras.

Mas este livro fala ainda de um outro elemento sobre o qual tenho me debruçado há bastante tempo, e sobre o qual vou falar no círculo de astrologia sobre os elementos.

O Fogo, na Astrologia o fogo é o senhor do estado criativo puro, das imagens que dão origem à manifestação. Seja nas qualidades de Carneiro, Leão ou Sagitário, cada um destes signos é motivado por uma qualidade de imagem, ou de sonho criativo, a acção  propulsora tem como origem uma imagem, um sonho. Este é o tipo de sonho que o ancestral da amiga da Sherri se referia, os nossos ancestrais sonham-nos através do fogo. E nós? Com o que é que sonhamos?

Como vocês sabem eu vivo numa região de fogos, todos os anos vejo na 1ª pessoa o resultado devastador de um fogo descontrolado, e tenho pensado muito na força do fogo tenho prestado redobrada atenção ao fogo dentro de mim e ao fogo que me é dado a observar nas pessoas com que me relaciono. A minha conclusão é que temos cada vez mais medo de sonhar. Talvez porque as previsões para o futuro não sejam animadoras, e se não são animadoras não nos atrevemos a sonhar longe, e se não nos atrevemos a sonhar longe tomamos decisões a curto prazo, e esta bola de neve rapidamente se irá desfazer contra uma parede de fogo, pois o fogo sendo energia pura, se não encontra um mestre que o domine, começa ele próprio a dominar, a alimentar-se dos medos dos homens e quanto mais medo temos, mais incontrolável fica esta força no astral.

Assim como o fogo, a imaginação também é uma força poderosa que sem mestre se pode tornar incontrolável (os ataques de ansiedade são fruto de uma imaginação descontrolada), na verdade a imaginação é filha do fogo. Primeiro imagino e depois parto para a acção. Primeiro criamos uma imagem, trazemo-la para o campo da possibilidade, respirando vida para dentro do corpo da possibilidade , até lhe dar forma, e assim a obra nasce.

Durante séculos estas imagens eram mantidas vivas através das histórias, passadas de geração em geração. Hoje em dia parece-me que uma nova mitologia está a nascer, não separada mas filha das antigas mitologias. Há novas histórias que precisam ser contadas, há sonhos que os nossos ancestrais estão a sonhar por nós que precisam da nossa criatividade para poderem ver a luz do dia, para se poderem revestir de matéria e nós precisamos escutar as suas vozes. Nós precisamos de unir os nossos sonhos aos deles.

Acredito cada vez mais que o futuro da nossa espécie depende disso.

Então parece-me que aprender a sonhar em conjunto é muito importante.

Dar voz às novas histórias, a novas imagens também.

Como podemos sonhar o futuro da raça humana? Como podemos sonhar com os nossos ancestrais o futuro da nossa existência? Como podemos oferecer o lugar do medo ao Amor?

Estas são as perguntas do futuro! E estas são perguntas bem uranianas acredito que nesta passagem por Touro este sonho dos ancestrais está a pedir a Terra de Touro e o ideal (que vem de ideia) de Úrano. Este é um tempo de respirar (Ar) para o sonho, dar-lhe vida (matéria).

Vamos sonhar juntas (os), vamos criar juntas (os).  Nós somos a ponte entre o passado e o futuro das gerações que virão!

As inscrições para os círculos de astrologia sobre os 4 elementos estão abertas, mas são limitadas, vê aqui, se sentes o chamado.

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Lua Nova de 15 de Maio, a entrada de Úrano em Touro e o elo que precisas reclamar de volta à tua vida para poderes fazer pazes com a Natureza, a tua e a nossa.

Esta Lua Nova representa um recomeço para todas  nós que sentiram esta última Lua Cheia de forma intensa. É como se na última Lua tivéssemos passado pelo crivo,  se tivéssemos sido peneiradas de todas as poeiras, de todas as partículas agregadas que já não faziam sentido. Há uma mudança forte a acontecer dentro de muitas de nós, silenciosa, paciente, desde o último Verão, na verdade muitas de nós estão a chegar ao final de um ciclo e esta Lua Nova representa a última etapa até ao novo recomeço.

Para quem viveu a Lua Cheia intensamente, esta Lua Nova é a altura de com toda a consciência fazer escolhas, sabendo que com a entrada de Úrano em Touro vamos ser chamadas para a Verdade na área da nossa vida regida por Touro. Uma das facetas de Touro que pouco se fala é a ligação ao prazer, o prazer de habitar o corpo físico, o prazer que nos chega através daquilo que os cinco sentidos abarcam, o prazer de estarmos encarnadas na matéria e de nos relacionarmos com ela, em Touro nós aprendemos a apreciar a nossa existência terrena, e os recursos que temos para a usufruirmos.

Agora vamos lá ser honestas…

Até que ponto nos permitimos de verdade receber prazer? Sem nos preocuparmos se o merecemos, se é certo errado ou o que for?

Quando tempo por dia nos permitimos de uma forma honesta e verdadeira, conectarmo-nos com a nossa natureza? Só porque sim, não porque vamos ter benefícios, não porque o livro assim o diz, mas simplesmente porque nos sabe bem? Sem medo e sem julgar se é certo ou errado, aceitando a nossa natureza humana com a compaixão de uma mãe sábia que sabe que a filha jovem só pode crescer experimentando, experimentando-se.

Quando tempo dedicamos à contemplação do belo? É porque a contemplação também é do domínio de Touro e precisamos dela para conseguirmos mergulhar dentro de nós.

Acredito que um dos grandes perigos da nossa cultura actual é  o afastamento do prazer. Sim do prazer! Acho que a maioria de nós não sabe realmente o que lhe dá prazer, temos uma imagem cristalizada do que é o prazer, nem nos apercebemos que a nossa relação com o prazer está (como tudo o resto) sempre a mudar. Para termos prazer temos de parar de quando a quando e fazer a pregunta: O que é que me dá prazer? Eu sei que estou a ter prazer quando fico enraizada, ligada ao corpo e às minhas emoções  e acima de tudo  com a sensação de transcender as minhas  limitações sejam elas de que origem forem. Quando sinto prazer o tempo pára e o resto passa para segundo plano, inclusive a dor; o prazer tanto nos traz para o corpo (matéria) como nos faz  transcende-lo (eixo Touro/Escorpião).

A sensação que tenho é que a nossa relação com o prazer tornou-se tão efémera quanto a nossa relação com os objetos descartáveis, passamos pelo prazer muitas vezes sem o respirar, sem o incorporar, sem o absorver através de todos os sentidos, tomamo-lo como garantido, tal como a roupa que vestimos e a comida no nosso prato, é tão garantido que cada vez lhe prestamos menos atenção, até que chega a hora em que deixamos de saber recebê-lo e pior ainda, de saber reconhece-lo. Estamos tão afastadas do verdadeiro prazer enquanto cultura, que criámos um modelo de educação que afasta as crianças da relação saudável com o prazer, fechámos-las em salas, cortámos a sua ligação ao corpo e aprisionámos a sua essência nas suas cabeças. E como vão elas relacionar-se com o prazer? Da mesma maneira que nós, através do que a sociedade nos diz que dá prazer, e não através dos nossos corpos, dos nossos sentidos.

E sim…acho que se nós tivéssemos uma ligação saudável ao prazer seria impossível termos chegado ao nível de dissociação com a natureza que chagámos.

Então nesta Lua Nova desafio-vos a escreverem numa folha de papel uma lista das coisas que vos dão prazer, sem culpas, sem constrangimentos culturais ou sociais. Sejam honestas com a vossa relação com o prazer e incluam-no nas vossas invocações para esta Lua Nova, porque sejamos honestas… Touro rege os recursos, os valores, o dinheiro, a abundância, o alimento, mas muitas pessoas pelo mundo fora têm todas estas coisas, e ainda assim se sentem deprimidas e ainda assim acordam de manhã sem fazer a minima ideia do que as faz feliz, achando que precisam de mais…sempre mais. Então em vez de invocarmos mais coisas nesta Lua Noa, porque não invocar  a capacidade de nos contentarmos e sabermos realmente usufruir do que já temos?

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Eu olho para esta paisagem e sinto-me rica, rica por fazer parte de toda esta imensidão. Pois a minha abundância é a abundância da terra que habito, a abundância das pessoas com que me relaciono, os meus recursos são os teus recursos, são nossos, e sendo nossos não nos pertencem.

Que a passagem de Úrano por Touro nos ajude a passar do “Eu tenho…” para o “Eu usufruo de…” –  a semântica muda tanta coisa não é?

Abraço com carinho

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“Remembering ourselves home” – Quando és chamada de volta a casa, segue o rasto da tua Lua Natal e do teu nódulo Sul.

A maioria de nós nasce num invólucro protector, uma camada fina de amor que nos protege e delimita, que faz com que o gigante mundo desconhecido de som, luzes e sombras não nos engula. Nascemos com a certeza que pertencemos ao cheiro e à voz das nossas mães, pois é isso que conhecemos quando passamos das águas do liquido amniótico para o ar da atmosfera terrestre,  à medida que vamos crescendo esse invólucro etérico vai-se ampliando, acompanhando os nossos passos pelo mundo até que chega a uma altura (e esta altura está a acontecer cada vez mais cedo), que rompemos com o invólucro protector, para partimos à descoberta do mundo por nós próprias.

É curioso como se chega à meia idade com a certeza que aquilo de que fugimos na adolescência acaba sempre por nos encontrar na vida adulta. Os padrões, as crenças, os valores do nosso berço vão sempre aparecer refletidos nas nossas experiências de vida de uma forma mais ou menos evidente, e muitas vezes é na fricção entre a visão que achamos ter para nós e a Visão Original que nasceu connosco que nos deparamos com os grandes paradoxos da vida, onde a nossa educação, as nossas crenças e o nosso coração nem sempre cantam em harmonia uns com os outros.

A verdade é que por mais que queiramos acreditar que a nossa história é nossa, ela não é exclusivamente nossa. Fazemos parte de um  Todo, somos fios que se cruzam no tecido da grande tapeçaria cósmica, fazemos parte de algo maior. E isto pode trazer-nos tanto desespero como paz. Por um lado, saber que o meu destino não está inteiramente nas minhas mãos pode fazer-me sentir sem controle sobre o que acontece na minha vida, por outro pode trazer-me paz, pois sei que não depende só de mim.

Então os livros de auto-ajuda dizem-nos que somos responsáveis pela nossa realidade, e sim somos responsáveis claro: pela maneira como escolhemos viver a nossa realidade, pela forma como  vamos agarrar nas matérias primas que trouxemos para este mundo e as vamos conjugar, recriar e fazer algo de novo e único. Mas não podemos carregar nas nossas costas toda a responsabilidade de tudo o que nos acontece, essa seria uma visão bastante egocêntrica do mundo não, colocar-nos-ia numa ilha isolada.

A verdade é que a vida é composta de grandes mistérios, uns poder-se-ão revelar, outros continuarão a ser mistérios como sempre foram.

“Remembering ourselves home” é o título de um livro que ainda não li, mas que me chamou a atenção pelo título, este título é mágico. Não há uma tradução que eu consiga fazer para português que capte tudo o que ele encerra. Relembrarmos do caminho para casa, é uma possibilidade mas não capta a profundidade do Inglês. Este título fala-me das minhas ancestrais, da minha mãe, das minhas avôs e da minha tia, de onde eu venho, da minha tribo (eu sinto que esta tribo nem sempre tem de estar diretamente relacionada com a família da mãe ou do pai, mas terá sempre um vínculo forte à nossa infância, aos nossos cuidadores e protetores). A minha tribo não é perfeita, vivo e debato-me com as crenças, a genética que herdei dela e às vezes  parece-me mais um fardo pesado que outra coisa. Vivo a mágoa (ainda) de ter tido a infância que tive e não uma diferente, de trazer tantos padrões que me limitam tanto e que (acho eu) me atrasam a caminhada. Mas quando penso em casa penso no carinho, no amor, na proteção e na sabedoria destas mulheres. Penso na força, na coragem e resiliência que herdei e até mesmo nos desafios, aqueles que elas não conseguiram ultrapassar nesta existência e que talvez eu consiga resolver pelo bem de todas, penso na minha sobrinha e nos desafios que lhe estarão destinados, aqueles que provavelmente também deixarei por resolver e na beleza de não estar só com o meu fardo, de não estar só com a minha dor.

A verdade é esta: não estamos sós neste mundo!

Vivemos tempos estranhos onde imagens flash de suposta perfeição e sabedoria nos chegam de todos os cantos, a comida perfeita e saudável, a frase espiritual inspiradora, a sabedoria de 3 minutos, parece tudo tão fácil. Não há nada que o google não ensine, e no entanto nunca fomos tão vazios, tão ansiosos e tão despreparados para o futuro. Todo o meu corpo me diz que a Humanidade vive neste momento níveis de medo altíssimos, com nunca viveu anteriormente, nem mesmo na face das grandes guerras e epidemias. O escalar das doenças mentais comprova-o.

Numa era onde temos o conhecimento na ponta dos dedos estamos a perder o discernimento, a capacidade de confiar em nós, na nossa sabedoria, na sabedoria da nossa família, dos nossos ancestrais. Achamo-nos tão diferentes dos nossos pais que nem paramos para os ouvir, parámos de pedir conselhos aos nossos  anciãos e passámos a pedi-los a estranhos, ou pior ainda a importar conselhos de pessoas que falam para o geral, sem nos ouvirem, nem nos olharem nos olhos.

Encontrar o caminho para casa é urgente para todas nós, por nós, mas acima de tudo pelos nossos filhos. Como podemos ensinar às nossas crianças a caminhar na Terra com amor e bondade se não estamos ligados a ela, se temos cada vez mais medo, se nos encolhemos cada vez mais quando ousamos olhar para o “negro futuro” de nos falam a toda a hora? Se passamos pelos grandes festivais anuais sem saber sequer o que eles significam, sem os aproveitar para nos ligarmos aos laços que nos unem às nossas tradições, à nossa cultura, ao nosso berço afetivo e ancestral, àqueles que do lado de lá do véu torcem por nós, sonham connosco.

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Encontrar o caminho para casa na Astrologia passa pela nossa Lua Natal, pela nossa casa 4 e pelo nosso nódulo Sul, por estes lugares no nosso mapa natal que nos falam de onde viemos e da nossa relação com os nossos ancestrais, passa por alimentar esta Lua, nutri-la, cuidar dela, que há-de ser diferente de pessoa para pessoa. Passa por honrar o nódulo Sul (o sitio no mapa que nos fala de onde viemos), com todas as quadraturas, as oposições, as intensidades e as incongruências características dos nódulos lunares. Para caminharmos rumo ao futuro visionado pela nossa nossa Alma é essencial alinharmo-nos com a nossa origem, respeitá-la, aceitá-la e honrá-la, apesar da dor e do desconforto. Para muitas pessoas não dá para dizer simplesmente: perdoo-te mãe, ou aceito-te pai…  mas não de trata de perdoar, trata-se de reconhecer, de trazer para a consciência, de honrar os fios que nos teceram, a história que nos trouxe até aqui, de escolher o que fazer com os materiais que nos deram à nascença, de ter voz, de ter o poder de decisão, de reclamar o caminho de volta a casa, de reclamar o direito a caminhar nesta vida enraizadas e alimentadas pela Terra e por tudo o que ela nos ensinou ao longo dos séculos.

Sejamos Universais sempre, com ramos bem altos, copas bem vastas, mas tenhamos nas nossas raízes o nosso sustento, o nosso lugar, um sítio onde voltar quando a roda da vida completar o seu ciclo e nós precisarmos de começar tudo outra vez…

Façamo-lo juntas, em círculo.

Abraço a todas!

Para o mês que vem vou começar um ciclo de círculos de Astrologia sobre os 4 elementos, se quiseres saber mais clica aqui.

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Círculos de Astrologia – os 4 Elementos: Fogo, Terra, Ar e Água e o seu papel nas nossas fundações e na nossa natureza.

Novas Datas:

4 de Agosto – das 10h30h às 13h00 – Circulo Fogo /  das 14h30 às 16h00 – Circulo Terra
5 de Agosto – das 10h30h às 13h00 – Circulo Ar /  das 14h30 às 16h00 – Circulo Agua

 

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foto retirada da internet

Os Círculos de Astrologia acontecem num ambiente intimo de aprendizagem, vivência e partilha, de forma a proporcionar ferramentas para um trabalho individual com cada um dos elementos através do mapa natal. As vagas são por isso limitadas.

A cada círculo abordaremos o elemento em questão, a sua natureza e a sua expressão através dos signos e a sua falta/excesso no mapa.

A cada participante será dada uma cópia do mapa natal e a cada circulo cada participante terá a oportunidade de adquirir ferramentas para iniciar um olhar mais aprofundado e terapêutico do seu próprio mapa, assim como uma base para começar a olhar para as suas relações através da natureza da dança dos elementos entre si.

Desta forma estes encontros poderão servir tanto de iniciação ao estudo da Astrologia como disciplina de autodesenvolvimento quanto de aprofundamento dos conhecimentos básicos da prática astrológica.

Abordar cada um dos elementos em profundidade e em Círculo possibilita uma aprendizagem mais completa e integrada acerca da natureza não só de cada elemento, mas também da expressão mais elementar de cada um dos signos.

Este é o começo de um caminho que passa por entender a linguagem arquetípica da Astrologia usando o sentir e o experienciar, aliados ao entendimento intelectual.

1º Circulo – Fogo 

Elemento impulsionador, falaremos sobre Vontade, Iniciativa, Inspiração e Criação, assim como destruição e purificação. Abordaremos a qualidade do Fogo nos signos de Carneiro, Leão e Sagitário.

2º Circulo – Terra

Estrutura, alimento, estabilidade, abundância e prazer, abordaremos a nossa ligação ao corpo físico, aos nossos ossos e às estruturas que construímos e às vezes precisamos desconstruir. Falaremos da qualidade da Terra nos signos de Touro, Virgem e Capricórnio.

3º Circulo – Ar 

Respiração, abertura, horizontes e estrutura mental, abordaremos a nossa relação com as ideias e os estímulos mentais, os excessos e a falta de ar na nossa vida. Falaremos das varias qualidades do Ar através dos signos: Gêmeos, Balança e Aquário.

4º Circulo – Água 

Utero, memórias, inconsciente, emoções, falaremos da comunicação fluida e misteriosa da água, da forma e falta de forma, abordaremos as qualidades da Água através dos signos: Caranguejo, Escorpião e Peixes.

Datas:
4 de Agosto – das 10h30h às 13h00 – Circulo Fogo / das 14h30 às 16h00 – Circulo Terra
5 de Agosto – das 10h30h às 13h00 – Circulo Ar / das 14h30 às 16h00 – Circulo Agua

Local Mandarina, Lage/Oeiras18486300_1709013942451352_5076254309086642092_n

Valor de Troca: €60

+

Inscrição: 20€ ( a vaga só ficara reservada após a recepção do comprovativo de pagamento).

Todas as participantes obtêm um desconto de 20% na marcação de uma consulta de Astrologia comigo, ou (no caso de já serem minhas clientes) numa consulta de acompanhamento.

Participantes do Curso a Arte de Tecer a Vida usufruem de 20% de desconto.

Inscrições abertas (vagas limitadas) – formulário de inscrição

Até breve

Com carinho

Ana Alpande

Lua Cheia 29 de Abril, eixo Escorpião/Touro – revelar para transmutar

Quando comecei a estudar Astrologia, esta era “A” Lua Cheia, o grande festival de Wesak, também chamada de a grande Lua Cheia de Buda. Na minha escola, esta Lua Cheia era altamente antecipada, e considerada uma das mais poderosas do ano.

Durante os anos em que estudei Astrologia, trabalhei simultaneamente em turismo, e lembro-me de como ficava chateada quando estava em viagem durante esta efeméride e por isso não poder participar das poderosas meditações de Lua Cheia da Maria Flávia Monsaraz (uma pioneira na prática e no ensino da Astrologia em Portugal).

Lembro-me de dois anos, em que celebrei esta Lua Cheia sozinha em frente à janela do meu quarto de hotel, fazendo as minhas orações, pedindo luz e cura para os meus processos individuais, mas acima de tudo, luz e cura para a Humanidade.

O festival de Wesak é o festival de Buda, e no esoterismo Buda representa a ponte entre a grande Hierarquia planetária e a Humanidade. Para mim ele representa a iluminação, a encarnação da compaixão e da realização espiritual na Terra. Então muitos chamam a esta Lua Cheia a Lua da Iluminação.

E de facto o eixo Touro/Escorpião fala-nos de poder e prazer. Do corpo e das forças subconscientes que animam o corpo e fazem-no funcionar. Fala-nos da relação entre corpo físico e corpo astral. De nascimento/morte/renascimento, da luz que ilumina a matéria e das sombras

E esta Lua Cheia de 29 de Abril é regida por Plutão que está retrogrado acompanhado por Jupiter e Saturno. Ou seja….no pico da luz é bem provável que estejamos todas a ser confrontadas com as pontas soltas que ficaram por rematar. Como se no início deste ano com os eclipses tivéssemos sentido uma espécie de conclusão, de resolução de problemas e agora com estes três planetas retrógrados apoiados com a Lua Cheia mais cirúrgica do ano, estejamos a perceber que afinal o que parecia terminado ou resolvido não está tão resolvido assim e que talvez possa ter até nuances que nunca tínhamos percebido até agora. Sim esta é a Lua Cheia que tira os fantasmas do armário.

Esta Lua é muito especial porque tem o poder de iluminar aspetos da nossa psique que durante o resto do ano nos são veladas, mas também porque a luz que vem com ela Lua tem um forte poder transmutador.

No que é que realmente acreditas?

Onde é que te doí realmente? O que te prende?

Como é que escondes a tua luz? Porque é que escondes a tua luz.

O que te impede realmente de assumir o teu poder?

Desde a última Lua Nova, que temos vindo a sentir um desconforto crescente, dores sem razão aparente, emoções antigas e pesadas que podem não ter razão aparente de ser. É possível que daqui até à Lua Cheia estas sensações aumentem. Mas na Lua Cheia tu podes invocar a cura: cura de padrões, cura de mágoas, cura e transmutação de processos antigos. Esta Lua é mágica!

Para mim desde os meus 19 anos, que associo esta Lua à Grande Invocação da Fraternidade Branca. É uma oração cujos versos tocam-me fundo na alma, e como qualquer oração, poema, história ou canção, para mim é mais importante o que faz vibrar dentro de mim, do que a origem, se vem desta religião, daquela seita, daqui ou dacolá.

Quem ama palavras aprende a apreciá-las e a reconhecer o seu valor para além da sua origem, reconhece-as pelo que vibram, pelo que animam dentro do peito.

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Burning of Darkness 1924 – de Nicholas Roerich no Museu em Nova Iorque

Como inspiração para esta Lua Cheia deixo-vos:

A Grande Invocação

Do ponto de Luz na mente de Deus,
que flua Luz à mente dos homens,
e que a Luz desça à Terra.

Do ponto de Amor no coração de Deus
que flua amor ao coração dos homens,
que Cristo retorne à Terra.

Do centro onde a vontade de Deus é conhecida,
que o propósito guie as pequenas vontades dos homens,
propósito que os mestres conhecem e servem.

Do centro a que chamamos a raça dos homens
que se realize o plano de Amor e de Luz
e feche a porta onde se encontra o mal.

Que a Luz, o Amor e o Poder
restabeleçam o Plano Divino sobre a Terra hoje
e por toda a eternidade.

Amém

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Em Maio vou estar a dar consultas presenciais de Astrologia em Carcavelos nos dias 28 e 29 (vagas limitadas)

Consultas por Skype ou presenciais no meus estúdio nos dias 14 e 15 e 21 e 22

Mais informações aqui: https://anaalpande.com/astrologia/

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O que significa ser “empático” e o que fazer quando a empatia se torna “demais”.

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imagem retirada da internet

Hoje em dia fala-se imenso de empáticos e empatia.

 

O Ser Humano é empático por natureza, quando uma pessoa não é capaz de sentir empatia é porque tem um distúrbio psíquico, que pode até mesmo ter origem química.

Sim, investigadores descobriram que temos uns neurónios chamados neurónios espelho, e que esses neurónios são os responsáveis pela nossa capacidade de sentir empatia. Em algumas pessoas esses neurónios estão mais adormecidos, e noutras extremamente activos.

Hoje vamos falar sobre as pessoas que “sentem demais”, ou seja as que tem estes neurónios extremamente activos e cuja a capacidade de empatizar é levada a um extremo que pode muitas vezes parecer um distúrbio.

Uma pessoa no pico da escala de empatia, de certeza que não teve, ou não tem uma vida muito fácil.

Uma pessoa no pico da escala de empatia pode sentir que não tem pele, ou seja que toda a informação que recebe lhe chega diretamente à carne, sem filtro, sem proteção, como se estivesse exposta, aberta aos mais pequenos estímulos, cheguem eles através dos 5 sentidos ou de outras esferas mais internas.

E tudo, é muito para estas pessoas. Quando recebem emoções, informações negativas podem ficar completamente drenadas, mas quando recebem emoções posivitas absorvem-nas e irradiam-nas como se fossem candeeiros de luz.

Na astrologia há uma série de interações entre planetas que nos podem indicar o grau de empatia de uma pessoa. E que tipo de filtros, ou defesas é que essa pessoa tem para se proteger do excesso de informação. Porque no fundo é disso que se trata. Quando estás numa escala muito alta de empatia, estás constantemente a ser retirada do teu centro, porque a tua identificação está sempre a ser projectada para fora, em vez de ficar dentro, e isto faz com que te canses com mais facilidade, que te esgotes sem razão aparente, que sintas dores no teu corpo físico e emocional e que muitas vezes tenhas ciclos repetitivos de pensamentos que nem sequer sabes indentificar muito bem de onde vêm. No entanto e por outro lado, também és capaz de te alimentar e auto-regenerar com mais facilidade pois estás muito mais premeável à cura, venha ela de pessoas, animais ou do contacto com a natureza, consequentemente tens a capacidade de irradiar isso para fora, ajudando não só pessoas, como animais , plantas e toda a vida neste planeta e noutros planos também.

Repito, qualquer pessoa saudável é empática, ok? Parece é que nestes tempos onde o mundo está cada vez mais polarizado, que também a escala da empatia começa ela própria a polarizar-se. Há cada vez mais pessoas com um nível de empatia muito elevado, e por oposição, pessoas com  níveis de empatia muito baixos ( e na psicologia tais pessoas poderão ter patologias espacíficas cada uma delas com contornos diferentes, como por exemplo, narcisistas, psicopatas e os tais vampiros energéticos de que se ouve falar tanto).

Agora, há uns anos atrás uma empatia desmedida também era considerada como uma condição patológica. O que se começa a entender por alguns psicólogos e psiquiatras mais sensíveis, é que um nível elevado de empatia pode ser justamente  o que este mundo precisa para dar o salto para sairmos da separação  para a fraternidade.

Se tu tens um nível elevado de empatia e sofres desde criança com isso como eu, podes ler este último paragrafo e podes achar que o sacrifício é demasiado grande. Sim, ser empática “demais” doí, doi no corpo, na alma e em outros cantos do Ser que nem conseguimos descrever. É uma condição extremamente vulnerável, com um impacto gigante na vida e nas relações, geralmente caracterizada por infâncias de isolamento profundo, culpa e responsabilidade onde  criança interior foi abafada desde muito cedo e muitas vezes ignorada. Mas aprendendo a viver com isso, curando e limpando as feridas do passado associadas a esta empatia desmedida e aceitando essa condição como parte integrante de ti, pode trazer-te bênçãos como nunca imaginaste. A questão é que se vibras numa escala alta de empatia tens de aprender a caminhar com a tua empatia, em vez de lutar contra ela. Tens de perceber que tens necessidades básicas a serem respeitadas que podem ir contra as convenções sociais actuais e a tua própria educação, que podes não conseguir responder às necessidades dos outros da mesma maneira que outras pessoas respondem, ou esperam que tu respondas (e isto inclui relações familiares, inclusive com os filhos).

Vou deixar aqui algumas prácticas que são essenciais para a sobrevivência de uma pessoa com um alto expectro de empatia:

  • saber dizer Não e definir limites, sendo que os teus limites são só teus e mudam de tempos a tempos, às vezes precisam de ser mesmo rígidos e quase colados ao corpo, outras podem se expandir um pouco mais, è uma dança cujo compasso muda constantemente.
  • tempo e espaço para estar sozinha, pessoas empáticas só se conseguem realmente restabelecer quando passam tempo sozinhas, evitando estímulos.
  • conecta-te ao que te dá prazer e que une mente/coração/corpo.
  • pausas durante o dia para enraizar, seja através de caminhadas na natureza, visualizações, exercisio físico etc…  – repito pausas várias vezes ao dia, uma não chega.
  • evitar ambientes com muitas pessoas ou muito estímulo, não podendo evitar, fazer uma oração de protecção e visualizares-te num saco cama transparente fechado, onde só entram as interacções energéticas que são BOAS para ti.
  • Perceber que não és tu que salvas ninguém  – Cada pessoa merece a dignidade de percorrer o seu próprio caminho.
  • Evitar ser depósito de problemas, em vez de permires que a amiga te ligue vezes sem conta para falar dos mesmos problemas para os quais nunca parece haver solução, tenta interagir menos e quando estiveres sozinha centrada e bem alimentada (em todos os aspectos), pede por ela, envia-lhe amor e luz (vais ajudar muito mais assim).
  • dormir bem é essencial para uma pessoa com altos níveis de empatia, e isto pode significar pedir ao companheiro que de vez em quando durma noutro lugar, ou energeticamente visualizar uma parede no meio da cama, às vezes podes ter muita dificuldade em dormir se o teu companheiro ou companheira estão a passar por dificuldades. E se tu não dormes, não vais ter condições de ajudar ninguém, muito menos de te manter centrada.
  • Ter muita atenção ao corpo, ele é sábio, ele dá sinais assim que estás a entrar em “overload” e quanto mais rápido saires do estímulo e te centrares, mais rápida será a tua recuperação – entenda-se aqui recuperação como: voltar ao centro.
  • andar descalça na natureza pode fazer milagres.
  • a água é muito importante, banhos de água e sal, ou sais de magnésio com lavanda, eucalipto ou hortelã-pimenta, nem que seja um esclada pés antes de dormir.
  • e meditar…. meditar é sem dúvida uma ajuda imensa, porque com uma práctica diária de meditação aprendes a indentificar-te menos com os estímulos o que te ajuda a ancorar mais no teu centro, mesmo durante momentos e interações desafiantes.
  • evita notícias, a maneira como os midia fazem jornalismo hoje em dia, é nociva para todos nós, mas em especial para pessoas altamente empáticas.
  • exercício físico, seja ele qual for, é essencial para drenar as sensações que ficam “agarradas” ao teu corpo.

Se queres saber mais sobre o assunto, eu aconselho-te os seguintes livros:

  • The Empath’s Survival Guide: Life Strategies for Sensitive People da Dra. Judith Orloff
  • Dodging Energy Vampires: An Empath’s Guide to Evading Relationships That Drain You and Restoring Your Health da Dra. Christiane Northrup M.D.

Numa consulta de Astrologia podemos sempre olhar e determinar o teu grau de empatia e como essa empatia te pode apoiar no teu caminho e que estratégias podes adquirir para aprender a viver com ela, porque ela é um dom, ser altamente empático é uma bênção, pode parecer um paradoxo, mas… a nossa vida é feita deles não é?

Podes saber mais sobre as consultas de Astrologia aqui

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Como fazer as tuas mandalas para estudares o teu ciclo lunar e solar. Começa este ano astrológico a registar a dança Sol/Lua/Terra em Ti.

Há alguns meses, algures entre os incêndios de 15 de Outubro e o meu trabalho ter começado a chegar a mais pessoas, comecei a ser assaltada pela seguinte pergunta: ” E se tudo o que mais valorizas, que mais amas, se fosse retirado? Casa, objetos sagrados, memórias, família, trabalho, reputação. E se fosses desprovida de tudo o que consideras querido e sagrado para ti? O que é que te restaria? O que é que te faria continuar a levantar da cama pela manhã?

Esta é uma pergunta inquietante, uma pergunta à qual viramos a cara, porque a resposta verdadeira a tal pergunta só pode vir de um estado de “graça”. Nos mandamentos da vida cíclica existe uma altura para semear, e uma altura para colher, assim como existe uma altura para fazer perguntas e uma para encontrar as respostas.

Esta é uma daquelas perguntas chave! Perguntas chave são perguntas que surgem do inconsciente e que “acendem” em nós um tipo de inteligência inspirada. São perguntas que de alguma forma alteram os padrões familiares dos nossos processos mentais, levando o nosso cérebro a encontrar novos caminhos, a construir novas sinapses.

Na minha prática astrológica sinto-me a fazer um bom trabalho, quando durante uma consulta ajudo a pessoa a sair do consultório com uma ou duas destas perguntas na manga. Aí sim, fico com a certeza que a vida da pessoa acabou de mudar ali mesmo à minha frente, ainda que essa mudança não seja obvia nem durante a consulta nem nos dias que se seguem. Pois as perguntas chave, são como sementes que quando encontram terreno fértil, vão depositar as suas forças e o seu fogo no interior da terra à espera da hora certa para brotar. E qual é a hora certa para brotar?

A resposta à minha pergunta veio de mansinho, qual broto despontando da terra. Primeiro senti o primeiro verde, num livro que me veio para às mãos (por acaso), depois foi uma conversa distraída de café com uma amiga que me levou a ver um vídeo na internet. Em seguida o mar revolto de Carcavelos decidiu lamber-me as faces e regar a planta emergente, mais tarde os ventos fortes abanaram a planta jovem e fizeram-me perceber que esta planta/resposta estava a tornar-se cada vez mais clara.

Voltei à minha casa, ao meu jardim e ouvi com a minha audição interna:

“Quem vem ao verde tão verde, quem vem ao verde verá. Que não vem em vão e vede. Que o verde o ajudará.” – esta pequena melodia cantada pela Luísa Barreto , de repente abriu dentro de mim a resposta obvia, a única que faria qualquer sentido.

Se me retirassem tudo o que me é querido, agarrar-me-ia à VIDA, e esta Vida não é a minha vida ou a tua. É a nossa Vida, a VIDA/MORTE/VIDA, onde numa espiral continua toda a existência se cruza e entrecruza a toda a hora.

E eu já passei por alturas onde a dor era tanta que eu não conseguia sair da cama, onde para aguentar passar os dias precisava de me anestesiar, para não sentir. Então acreditem, eu sei que quando os desafios nos batem à porta, não é cor-de-rosa…nunca é.

Mas… assim como a semente sempre renasce, mesmo depois das piores catástrofes, também nós renascemos, e às vezes nem é porque queremos, é porque a força da Vida fala mais alto.

Eu que já caí fundo, como muitas de vocês, vivo esta vida com os pés o mais assentes no chão possível para que quando voltar a cair, saiba cair melhor, com mais graça, mais auto-respeito, mais compaixão.

Vivemos na impermanência constante, e a pergunta é: “Como encontrar o que é permanente nesta existência impermanente, como encontrar o que é duradouro e constante num mundo em constante revolução?

Não existe uma resposta, existem várias. Uma possível, é dedicarmo-nos a estudar a vida cíclica, ou melhor, deixem-me reformular… dedicarmo-nos a dançar conscientemente com a vida cíclica, tentando não apressar o que não pode ser apressado, tentando não encontrar soluções rápidas para o que precisar de cuidado e de tempo para se resolver. Encontrando na observação dos nosso ciclos e respetivos padrões cíclicos fios condutores que nos ajudam a tecer a nossa história com consciência e integridade.

Podemos ler e estudar várias matérias: sagrado feminino, astrologia, I-Ching, tarôt, podemos inspirar-nos com as histórias dos outros e pensar no que desejaríamos para nós, mas ao colocarmos essas coisas em 2º plano, e nos colocarmos a nós e à história contada pelos nossos ciclos em primeiro lugar, estaremos a construir um sistema único e revolucionário de autoconhecimento, individual e intransmissível! Dá para ver os resultados de um dia para o outro? Não… demora, são anos. Mas vale a pena? Claro!!!

Como podemos fazê-lo? Bem para mim uma das coisas é ter um diário e escrever regularmente, guardando os meus diários e sistematizando a forma como escrevo neles, para que mais tarde possam ser de fácil consulta. Outra das coisas que faço e que quero partilhar hoje com vocês é estudar os ciclos da Lua e o ciclo do Sol. Aprendendo a perceber-me através da dança mensal da Lua e da dança anual do Sol, registando estes estudos sob a forma de mandalas no meu diário. No link vocês poderão ver um video meu onde explico como faço estas mandalas e no que consistem estes estudos.

Aconselho este trabalho. Traz foco, e a longo prazo, ferramentas que mais ninguém te pode oferecer a não seres tu própria. É tão transversal a tantas áreas da vida de uma mulher, como o ciclo menstrual, hormonal etc… para quem estuda astrologia é a melhor introdução possível a uma mundo de estudo e observação constantes, da danças entre o Eu e os arquétipos planetários e seus respetivos ciclos.

Espero que vos inspire, que expire e que vos leve a começar já hoje a registar aquilo que mais tarde irá se transformar na vossa auto-biografia circular, onde o tempo da vossa existência passa a ser vivenciado como uma espiral em vez de uma recta. Muda tudo!

Digam-me o que acharam do video.

Um abraço com carinho

Ana Alpande

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Proserpina em mim, Proserpina em nós. Mitos que nos tecem e se entrelaçam com a vida cíclica.

Aceitei o desafio de escrever um pequeno texto, à luz do trabalho que fui desenvolvendo (bom, em verdade, vivendo) no curso “A Arte de Tecer a Vida Tece o Verdadeiro Eu”, dou por mim, a dar voz e palavras a uma viagem alquímica… uma viagem de corpo e consciência, que hoje nasce em tom de celebração da chegada de um novo ano astrológico.

Dante Gabriel Rosseti Proserpina 1874Tecendo, ouvi o Mito de Proserpina.
Dando corpo com cada fio, à trama montada, as palavras, como que por osmose, penetraram em mim. E como não seria assim?
Tecendo a minha Taça, embrenhei-me na companhia de Proserpina e durante os últimos meses, caminhei numa viagem interna a que posso chamar simplesmente Proserpina em Mim, sempre acompanhada pelo meu Tear, meu confidente, que hoje olho, com se olhasse um espelho que mostra além do reflexo; espaço criador e criação; espaço de encontro com o mais íntimo silêncio interno.
Não me prendo na história contada no Mito, até porque sei, que para o próximo ano, a história será diferente. Porque sei, que sendo igual para todas, como é para a Mãe Terra, é única para cada uma; e mesmo que a vivenciemos mais que uma vez  (e com certeza o faremos, vezes e vezes sem conta), ela será sempre nova e o caminho será diferente…
A sincronicidade da vida, permitiu-me ir revisitando o Mito ao longo do Outono e do Inverno, dando mais força à vivência navegada entre momentos de nevoeiro, em que as coisas e os acontecimentos pareciam turvos e quase impalpáveis e fortes momentos de insigth, de uma lucidez incrível no meio do frio, da escuridão e da dureza. Fui renascer ao submundo, com a consciência de que ali, no meu submundo interno, se encontra um dos meus férteis úteros; na sombra desnudo-me e renasço.
Na verdade, nesta altura da minha vida, o escuro, o não visível, já é um espaço mais conhecido e confortável. O medo que continua presente, já adquiriu uma nova qualidade, é olhado, acolhido, já não me faz parar, porque me sei em movimento constante.
Uma vez mais Proserpina, mas desta vez, Proserpina tecendo-se.
Proserpina reconhecendo toda uma carga que as expectativas luminosas de Demeter, de todas as que me esperam somente pura,virgem e “bela” colocam-me olhos nos olhos da adolescente que fui.
E dali, como não olhar o narciso? E como não dar-lhe um sorriso? Até mesmo um piscar de olhos? (sorrio pensando se não semeei eu narcisos até…)
E nos fios que passaram a tramas, foi ficando clara que a iniciação não se dá porque o Carlo Francesco Nuvolone O Rapto de Proserpina 1630-1640Deus Plutão me levou, ou levará vezes sem conta no tempo, ainda para mais tendo em conta que por vezes é ele que comigo vem… mas quando, numa adolescência sem idade, parto ao encontro das trevas; num retornado movimento de renovar… de me despir de expectativas que já pesam… porque em nada são meus desejos ou anseios.
Quando olho a Demeter interna e lhe digo… agora, agora vou partir sem ti. Sem medo, e até na sabedoria que a sua viagem será para ela também um renascimento, ou não. Mas é a sua!
Aqui, esvaziei a taça que sou, porque só vazia a posso encher do que me serve.
Montada novamente a trama, ainda o Inverno se fazia, tecendo-se na minha cabeça novos fios brancos. É engraçado como ciclicamente no escuro, venho reconhecer e encontrar luz. Luz luminosa, Luz calor… Luz sabedoria.
Nas alturas de escassez, o espaço criado por um vazio expansor, mostra-me bem as minhas raízes… o meu coração. Aquele espaço onde, quando faz frio, a vida encontra ninho para se recolher e se preservar. O subsolo. A terra.
E eu confio. Confio no carinho e na empatia. Na honestidade. Na verdade. No amor. Na responsabilidade. Na criatividade. Na beleza.
E sei-me acompanhada. Sozinha, não estou só.
As minhas irmãs tecem nos seus teares. Canto com elas. Damos espaço às fibras dos seus nobres fios com água dos nossos olhos, como suor do esforço que às vezes a vida exige e com o calor da irmandade que se constrói tecendo.
E com elas canto o meu nome e o nome de cada uma. Connosco cantam as da nossa linhagem. As nossas ancestrais.
Desta vez a visita ao Mundo inferior, não é visita, é permanência. Porque aqui é minha casa também.
Dizem que sem dormir, ninguém sobrevive. Hoje digo, sem sombra, ninguém vive realmente.
E na gestação, sabendo-me de coração ao alto, ganho braços e pernas.
E é na intimidade com os demónios que aqui habitam, com as partes que quiz esconder e até matar (mas por isso dando-lhes vida), que forjo a foice com que me defendo, com que corto as ligações que me desvitalizam… com que colho as ervas medicina, ervas perfume!
Sou responsável para escolher.
E na gestação reconheço os meus corpos, o meu espaço, o espaço que ocupo. Aqui em baixo, lá em cima… o espaço que sou e ocupo em qualquer lugar onde me mova. Espaço semente, espaço concretização.
Como uns bagos de romã que Plutão me ofereceu… já os judeus sabiam da sua ligação com a Árvore da Vida.
Porque sangue é conexão com a vida. E a morte, uma porta para o nascimento.
E olho Plutão sendo cada vez mais aquela que ocupa um trono, num Reino que é o dele também. Vivendo Ciclicamente, em encontro com outros seres cíclicos. E olho-o sabendo que o posso também amar. Porque o meu cinto… é sempre meu. Porque o meu espaço… posso defendê-lo, tanto como partilhá-lo.
E assim foi contando o meu tear… fomos contando, o meu Tear e eu. Cocriando a Persona, Rainha Bela em toda a sua fealdade. Bela em toda sua força e fragilidade … Bela, prudente e protegida.
Proserpina, com nome, corpo, coração e alma. Inteira e atuante na Roda da Vida.
Acolhendo a ciclicidade da vida em toda a sua extensão.
É incrível como na sombra destes meses frios resgatei a minha INOCÊNCIA!!!
Tecendo luz e sombra… gargalhando e sorando… morrendo e nascendo… sempre tecendo, sempre criando…
Sim Proserpina, com mais cabelos prata… Rainha do submundo… forte, bela e inocente…
As bagas que sobraram, como-as em compromisso com a ligação com este espaço sagrado, na verdade de ser a Rainha do meu submundo. Laço de cuidado e responsabilidade. Sabedoria de que regresso, vezes sem conta, honrando a verdade naquela que sou. Antioxidantes são bons para qualquer caminho!
Já os corpos cheiram a Primavera, e cá em baixo as sementes rompem denunciando a verdade dos tempos e a linha que desenha o meu caminho na Vida . Em amor abraço-me. Troco cumplicidades com Plutão que em momentos pontuais me viu tecer, tecendo-me…
Com quem aprendi na escassez e na abundância (sim… como pode ser abundante o sobsolo no Inverno…). A quem odiei e amei… com quem afinal, até coopero.
Coloco na Bolsa o que me é sagrado.
Nascendo-me, paro-me na viagem ao encontro da Primavera, um novo zero ou infinito no meu baralho.

Rita Leite Prudente

Proserpina lá vem vindo,
Aí como o dia está lindo,
Aí lá vem ela a cantar….
Cantando com breves cantigas
Bailando com as amigas
Leves como bolhas de ar…

O Rapto de Proserpina_ Adaptação Maria Luisa Barreto
Ouço-a com a voz da querida Ana Alpande

(A Rita esta a acabar o Curso a Arte de Tecer a Vida sobre o qual podes saber mais aqui. É Terapeuta, Doula, Artista, Mulher plena e imensa com quem tenho o prazer de caminhar e aprender.)

Aqui podes ouvir a versão do mito da Proserpina de que a Rita fala no fim do seu testemunho/reflexão.

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Posso na minha prática, olhar para o teu Mapa Astral e analisar apenas um planeta, posso espreitar os mapas dos teus amigos e familiares?

Aqui

Ultimamente chagaram-me uma série de pedidos seguidos, para analisar planetas isolados num mapa natal, na verdade, dos vários pedidos todos eles referiam-se à Vénus, mas para este caso não faz diferença se for a Vénus ou outro planeta.

Outro pedido que me fazem várias vezes é o de olhar para o Mapa de amigos, conjugues, familiares etc…

Apesar de eu ter todo o prazer de responder pessoalmente a cada pessoa que me contacta, hoje escrevo aqui a minha abordagem em relação a estas duas perguntas. Salvaguardando desde já que ela não é nem certa nem errada, é a minha, a que faz sentido dentro da minha linha de trabalho. Certo?

Eu estudo um Mapa Natal como se estivesse a caminhar no Labirinto de Chartres, encaro cada volta como um mistério, às vezes vejo segredos, outras portas fechadas, outras possibilidades ilimitadas, mas é só a partir do centro que eu recebo uma visão mais claro do todo.

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foto retirada da net

O Labirinto de Chartres tem 12 voltas, 12 camadas, 12 áreas a serem percorridas desde a periferia até ao centro, (um mapa natal tem respetivamente 12 casas/12 signos). Se eu quiser respeitar um labirinto e o propósito com que foi criado, eu preciso ir da periferia ao centro e do centro à periferia, este é o caminho para o coração. O caminho do herói e da heroína, onde cada passagem tem a sua função e dá acesso ao nível seguinte.

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Quando eu estudo o mapa de uma pessoa, eu coloco-me na posição de testemunha, eu sei que ao estudar um mapa eu estou apenas a olhar para a paisagem, é numa consulta e apenas na medida da confiança estabelecida entre a pessoa e eu, que me é dada a oportunidade de realmente entrar e ver para lá da superfície. Eu percorro o labirinto, não na frente da pessoa, mas atrás dela, não para lhe mostrar o caminho para o seu centro (quem sou eu) mas para a encorajar a não desistir, para lhe dar força e coragem, ajudá-la a ir para além do ponto de resistência um pouco mais fundo, um pouco mais longe, respirando com a dor, descansando nos miradouros, celebrando as conquistas. Esta é a minha missão. E a razão pela qual eu entro no labirinto com a pessoa é simplesmente porque para a ajudar eu preciso de ver as paisagens internas, através dos seus olhos e não do meu julgamento.

Então assim sendo, não olho para mapas de pessoas se não for para fazer esta viagem com elas, a não ser que seja um caso muito específico onde a pessoa autoriza por exemplo um colega seja astrólogo ou terapeuta a partilhar o seu mapa comigo. Ou no caso de crianças, e ainda assim todos os meus clientes sabem que analiso sempre os mapas das crianças tendo em conta a relação com Pai/Mãe, ou seja de um ponto de vista relacional.

Também não consigo estudar apenas um planeta, como a Vénus, por exemplo, nesta forma de trabalhar que acabo de explicar, não faz sentido.

Sou contra quem o faça? De todo!!! Só não é a minha linha. É como na música, há o jazz, há a música clássica etc…, cada linguagem ajuda a fazer deste mundo um lugar mais rico.

Já agora, para quem estuda astrologia não poderia recomendar mais, a experiência de caminhar num labirinto de 12 voltas. É algo que tem de se experienciar para se perceber a real dimensão do que acabo de escrever sobre esta minha forma de trabalhar.

Então quando eu escrevo que faço consultas de Mapas para o Centro, onde podes encontrar os fios para Tecer o teu Verdadeiro Eu, podem agora perceber que eu realmente acredito e vivencio o que proponho, é poético mas é, numa certa dimensão, bastante real.

Muito grata a todas as pessoas que me escrevem. É uma prazer conhecer as caras por detrás do ecrã.

Com muito carinho

Ana Alpande

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Lua Cheia – Eixo Virgem/Peixes. És parteira ou parturiente?

Lua Cheia é a altura do mês onde a luz interna brilha com mais intensidade, onde temos a oportunidade de olhar para dentro com mais clareza. Nas noites da Lua Cheia, a luz entra-nos pelo quarto dentro, e não nos deixa dormir, não nos deixa esquecer ou esconder…

É uma Lua de finalizações, de limpeza, pois é quando a Lua atinge o seu pico que podemos ver o que precisamos limpar.

No eixo Peixes/Virgem somos ora parteiras, ora parturientes.

Do lado Virgem, oferecemos o nosso trabalho, as nossas capacidades, servimos as mulheres à nossa volta e somos testemunhas do sagrado, do milagre da Vida. é-nos exigida firmeza, foco, acção. Somos protectoras da grávida e do milagre que ela  transporta. Somo testemunhas do mistério, mas sentimos nas nossas costas o fino equilíbrio entre intervir e deixar acontecer.

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Imagem da série britânica – Call the Midwife

Ser terapeuta, é ser parteira. Eu sou parteira de milagres, de memórias, de realizações, de dores assimiladas, de crenças transmutadas… muitas de nós somos parteiras… parteiras em serviço, 24h… sempre alerta, sempre à disposição, prontas a cuidar, a doar, sentindo nas costas a responsabilidade de saber quando ajudar e quando confiar.

Mas também somos as parturientes. Também nós parimos, crenças transformadas, fantasmas redecorados, novas Visões, transformações, projectos e sonhos. E quem são as nossas parteiras? De quem nos rodeamos quando estamos a parir? Como escolhemos parir? Rodeadas de máquinas e olhares curiosos, no nosso espaço com as pessoas que confiamos ou sozinhas?

Esta Lua Cheia fala-nos do equilíbrio entre cuidar e deixar ser cuidada, entre saber quando intervir e usar: a técnica, o saber aprendido, o foco, ou saber entregar, confiar no mistério.

Falamos de comunidade, sim uma comunidade onde a fronteira entre o visível e o invisível é ténue, onde na neblina se podem ver contornos de seres informes que caminham connosco de forma anónima.

Na vida cíclica não nos podemos esquecer que não caminhamos sós, caminhamos com e para o Todo, a toda a hora a todo o instante.

Então como está o equilíbrio entre o meu espaço sagrado e o teu espaço sagrado?

Que fronteira é esta que me separa do todo?

E como é que eu sei quando agir, quando confiar na técnica, no foco, no mecânico, e quando entregar e usar a Fé como escudo e ao mesmo tempo como guia?

A luz que guia a estrada que vai de Virgem a Peixes é sem dúvida a luz do coração.

É uma espécie de exercício muscular, tal como num parto. Contraímos voltamo-nos para dentro, para depois expandirmos e abrirmo-nos um pouquinho mais, até à dilatação total… e podemos fazê-lo com ou sem parteira. Essa é uma escolha nossa.

Mas sozinhas? Sozinhas nunca estamos, nunca… Caminhamos Juntas!

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