Amuleto – a invocação e o mergulho na fonte da criatividade pura.

Há cerca de 4 meses, 3 mulheres vieram bater-me à porta. Estavam a trabalhar como voluntárias numa quinta perto da minha casa e tinham ouvido falar de mim. Pediram-me para que lhes facilitasse um dia têxtil, podia ser qualquer coisa: fiar, tricotar, feltrar, tecer…. queriam a experiência de se ligarem à terra e às suas tradições, passando um dia entre fios e cumplicidades.

Eu aceitei-as de coração aberto, mas sem saber bem o que lhes propor. Elas aceitaram o meu valor por dia, sem saberem exactamente o que iam fazer (incrível). Foi um dos dias mais frios de 2016, saímos de casa para uma caminhada com uma camada espessa de gelo a abrir o caminho entre as ervas e desafiei-as a prestarem atenção à paisagem, disse-lhes que no nosso passeio iriam encontrar prendas da Mãe Terra, e essas prendas seriam as personagens principais do que quer que fossemos criar nesse dia. Com a Serra da Estrela ao fundo a abraçar-me, caminhei em silêncio a observá-las, atenta aos sinais e grata pela oportunidade de servir estas mulheres, sem saber no entanto como. E que forças do destino as teriam levado ao meu estúdio, num dia tão frio e cinzento? Qual seria o meu papel nas suas vidas, e o papel delas na minha?

Chegamos ao estúdio com paus, líquens, pedras e pedaços de raízes, depois de um chá quente formámos num círculo com uma vela no meio e as três ultimas rosas do meu jardim (que por milagre tinham sobrevivido à geada fortíssima dos últimos dias). Expliquei-lhes que estava a finalizar uma formação de coaching criativo e que neste momento era aí que estava o meu coração enquanto facilitadora, mas como não tínhamos combinado nada em especifico propus que cada uma tirasse uma carta do meu baralho “Sacred Path Cards” e que decidíssemos a partir daí o que iríamos fazer. Como sempre magia aconteceu e cada uma recebeu exactamente o que precisava ouvir, mas mais importante ainda as três estavam em sintonia quanto ao momento das suas vidas e tornou-se muito claro para mim,  qual o meu papel neste círculo de mulheres. Propus-lhes tecerem um Amuleto, nenhuma delas tinha qualquer experiência com tecelagem, mas a três aceitaram de imediato.

Fizemos uma visualização criativa, própria do trabalho com o amuleto, elas escreveram as mensagens que brotaram do coração e cada uma começou uma viagem individual de tecer o seu amuleto sagrado.

Na arte de Tecer a Vida, O amuleto representa a Invocação, uma chamada para a mudança. Ele  simboliza aquilo que dentro de nós precisa nascer e o momento da concepção, quando a energia masculina e feminina unem-se para criar um novo Ser.

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Eu numa postura de Doula do Eu Interior, mantive-me em silêncio, utilizando as palavras como ferramentas homeopáticas (a mínima dose para alcançar o máximo resultado), expliquei de forma clara como montar uma teia e fui dando as explicações necessárias para que pudessem trabalhar livres das dúvidas da mente e das preocupações com o certo ou errado. Pedi-lhes que abraçassem a tecelagem como um espelho da vida e que aceitassem todo e qualquer resultado. Contei histórias quando percebi que estavam a travar uma luta criativa, mantive-me em silêncio quando a energia estava tão elevada que se respirava pura inspiração e a cada fio, a cada centímetro de tecido estas mulheres iam-se abrindo cada vez mais.

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Chegaram ao fim quentes de coração, com  um brilho nos olhos e  um amuleto nas mãos, onde as prendas recebidas durante a caminhada se integraram naturalmente, como se o amuleto tivesse sido criado para as acolher, um pedaço de tecelagem que representa um aspecto sagrado da psique de cada uma, uma invocação ao que de mais profundo quer nascer de dentro delas. Eu vibrava de gratidão e inspiração. Olhar estas mulheres nos olhos e vê-las para além da forma gerou em mim uma onda de veneração indescritível e uma certeza que este é o meu caminho, e foi com essa veneração e gratidão que dei a cada uma, uma rosa, as últimas rosas do meu jardim.

Este foi o meu primeiro círculo de tecelagem, curiosamente o Amuleto é a primeira forma elementar da arte de Tecer a Vida.

Mais sobre a Arte de Tecer a Vida aqui.

E a partir desse momento comecei activamente a trabalhar para te receber de coração aberto, para que possamos comunicar muito para além das palavras. Estou aqui para te dar a mão e acompanhar na tua viagem ao centro de ti própria.

Com amor

Ana

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Criatividade, os seus meandros, os becos sem saída e a arte de saber quando parar e seguir em frente.

Esta semana uma amiga minha, que admiro imenso como mulher e como artista,  disse-me que se sentia intimidada pela minha criatividade. Que estar perto de mim a bloqueava porque admira muito o meu trabalho e jamais seria capaz de fazer o que faço. No entanto disse-me que depois de ter visitado a minha exposição na Biblioteca de Tábua sentiu-se impelida a escrever um conto, e que o conto está muito bonito.

E quantas vezes eu sinto o mesmo quando admiro o trabalho de outros artistas incluindo o dela?

Faz parte! É uma dor e um desconforto bom, daqueles que buscam, que não se contentam e que sabem que os universos que trazem dentro de si são demasiado grandiosos para serem expressos na forma. E é esta ambição de ir mais fundo, de materializar a verdade, que nos faz buscar inspiração, admirar o trabalho dos outros e sentir desconforto é crucial para quem quer crescer e seguir em frente.

Esta minha amiga nem sabe (ou sabe) o quanto da sua sabedoria e das suas histórias me inspiraram a criar algumas das peças que justamente, arrebataram o seu coração. Ou seja… Ela está lá, ela ajudou, fez parte, ninguém cria nada sozinho, é a vida que cria em nós.

Não é tão belo?

Agora quero partilhar com vocês o “making off” de uma peça muito especial que criei. Chama-se Deusa da Lua.

Tudo começou numa visita que fiz ao jardim da minha querida Fernanda Botelho, que muitos de vocês conhecem como uma mulher que dedica a sua vida ao estudo e à divulgação das Plantas Medicinais, e que tantos livros já publicou sobre o assunto. Ora nesse dia eu fui lá fazer uma sessão fotográfica de alguns fios que tinha fiado e o meu marido entre muitas outras, tirou uma foto (em baixo) que me tocou profundamente. Tocou tanto que guardei o fio para mim e mantive a foto sempre por perto. Queria fazer qualquer coisa com o fio e com a imagem da estátua, mas não sabia o quê, nem como. Isto há cerca de 6 anos.

O ano passado tive a ideia de transferir a foto para tecido e comecei a bordá-la, depois de muitos “devia de” e “tenho de”, fiquei reduzida à cara da estátua e fiquei sem saber o que fazer com ela. Isto foi em Junho. Em Agosto decidi aplicá-la a uma tecelagem, mas na altura apercebi-me que gostava tanto da frente do bordado quanto do avesso. Ficou à espera mais uma vez…

Foi em Janeiro deste ano que finalmente a acabei. Transformei-a numa peça reversível, para que ambas as faces do mesmo Ser possam ser apreciadas. Afinal quantas faces tem a Deusa da Lua?

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Estou 100% satisfeita? Nunca. Nunca estou, mas a arte de se ser artista é aprender  quando parar, quando já chega e é hora de seguir em frente.

E na arte da vida não é exactamente a mesma coisa?

Uma semana maravilhosa para vocês.

Ana

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As mãos e o cérebro. O trabalho manual directamente ligado à inteligência.

Há pouco tempo descobri o livro – The Hand –  do Dr.  Frank Wilson, um neurologista que foi fundo na investigação da mão e da sua ligação ao cérebro, às emoções e até mesmo à linguagem.

E fiquei a pensar nas escolas e nos currículos escolares. Há crianças de 15 anos que nunca pegaram numa agulha para dar um ponto num pedaço de tecido. Eu pessoalmente acho grave. Não se trata de no futuro saber remendar umas meias (embora isso também seja importante), trata-se de desenvolver o cérebro, de criar sinapses que são extremamente complexas e que se desenvolvem naturalmente nas actividades que exigem tanto da motricidade fina, quando da coordenação.

Fotografias do “Encontro Bordado” – dinamizado por mim na Biblioteca Municipal  de Tábua

Agora imaginem uma sociedade onde as pessoas se juntam para “fazer” soluções, seja para tricotar uma manta para alguém doente, seja para construir um abrigo para um animal, ou para bordar desejos de amor e paz!

Como esta é uma das minhas missões, levei um desafio à professora do meu filho. Construir um painel que falasse do fio que liga o nosso coração ao coração da nossa comunidade, pedi-lhe que usasse têxteis no trabalho, uma vez que o painel ia ficar exposto na minha exposição “Os fios que nos tecem – uma viagem do individual ao colectivo”.

Este foi o resultado. A manta de retalhos no painel, foi cozida por eles com pedaços de tecido com história, para alguns foi o quadrado da primeira camisa que usaram e para outros a primeira vez que cozeram com linha e agulha. Todos ficaram a ganhar, a professora trabalhou a área de Português e Expressões, os meninos têm o trabalho deles e uma parte da sua história reconhecidos numa exposição, e eu tenho a honra de partilhar o meu espaço com eles.

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Podia começar a dissertar aqui sobre as falhas do sistema de educação e os problemas da cultura actual…

Mas prefiro deixar a mensagem de que com pequenos gestos podemos iniciar grandes mudanças, por isso inspirem-se, reúnam a comunidade local e criem coisas com as mãos, ou procurem quem o faça na vossa área de residência, às vezes ficamos em casa a pensar no que está mal e nem chegamos a perceber que há tanta coisa boa a acontecer à nossa volta!

“Quando a descoberta pessoal leva alguém a aprender a fazer alguma coisa,

 com as mãos,

 unindo movimento, pensamento e sentimento

 à busca activa de objectivos a longo prazo,

 esse alguém transforma-se significativamente e irreversivelmente.”

Dr. Frank Wilson, The Hand

 

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Transformar a dor em beleza. A arte como um abraço.

Hoje não tenho muitas palavras.

É daqueles dias em que já escrevi e apaguei vários pedaços de um texto que teima em ser uma lamentação. Como se eu escrevesse este blogue para me lamentar.

Não, este blogue têm a missão de elevar.

Mas hoje, não encontro palavras que não falem sobre a tristeza que sinto. E está bem. A tristeza é uma emoção tão válida como todas as outras, não a receio, deixo-a fluir.

É nestes dias que me foco em agradecer ainda mais. Agradecer pelo menos 3 coisas de manhã, à tarde e à noite. Pequenas âncoras que ajudam a não me identificar com as minhas emoções e a não perder a perspectiva. É nestes dias que me forço a caminhar mais, a saltar no trampolim (o meu antidepressivo favorito) e a mexer o corpo.

Eu fui criada numa família católica onde todos os Domingos íamos à missa. E durante a missa,  o padre dizia:

– Corações ao Alto.

e nós  respondíamos

-O nosso coração está em Deus.

Hoje coloco o meu coração ao Alto, e deixo-me flutuar no Oceanos das Mães Divinas.

Criei estas peças como uma oração, para que a mãe Divina embale nos seus braços as minhas amigas que já partiram, mas também aqueles que  sofrem, e não falo do sofrimento visível; falo do silencioso, daquele que leva as pessoas a desistirem, a morrerem devagarinho sem que ninguém se aperceba.

Hoje escrevo para ti que olhas o mundo e não consegues calar a tristeza nem a indignação. Eu vejo-te, eu compreendo-te. Não tenho respostas, só a minha arte para te trazer alento e lembrar que nós temos o poder de transformar e re-criar o que quer que a vida nos traga pela frente. Como?

Elevando o coração, àquele sítio dentro de nós onde mora a divindade. Não vai fazer a dor desaparecer, mas dá-nos um alento, uma luz que nos aquece o peito e  nos compele a seguir em frente.

Com muito amor

Ana

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Círculos de Tecelagem – Tece o teu Verdadeiro Eu

Círculos de Tecelagem

 São grupos que se reúnem para tecer no tear da vida as 7 formas elementares da Arte de Tecer a Vida, que nos conduzem a uma viagem de descoberta, onde aprendemos  a integrar o que amamos ao que fazemos no mundo.

Mudar a forma como nos vemos

E um círculo de Tecelagem é:

Um lugar para descobrir e explorar a criatividade natural, experimentar cores, texturas e padrões que fazem o coração cantar enquanto tecemos sob e sobre fibras naturais, tocando com os dedos o que é orgânico e real…

Uma comunidade, onde nos arriscamos a ser nós mesmos, partilhando e tecendo a nossa história num círculo seguro e solidário….

Um refugio, de paz e pertença que nos empodera a tecer algo com significado e cura, onde somos encorajados em silêncio, com ritmo e fluidez, a voltarmo-nos para dentro …

Uma celebração onde ninguém nos julga se quisermos cantar e dançar, onde podemos visionar  o que queremos para o nosso futuro, encontrar uma maneira de ajudar o mundo e acima de tudo aprender a viver a vida de forma sagrada.

“Quando a descoberta pessoal leva alguém a aprender a fazer alguma coisa, com as mãos, unindo movimento, pensamento e sentimento à busca activa de objectivos a longo prazo, esse alguém transforma-se significativamente e irreversivelmente.”

Dr. Frank Wilson, The Hand

Os Círculos de tecelagem já ajudaram

Cuidadores em geral:

Médicos, Enfermeiros, Psicoterapeutas, Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Assistentes Sociais, Coachers, Lares de Terceira Idade, Centros de dia

Educação:

Professores e alunos do ensino básico, secundário e universitário, de escolas de arte, ensino Waldorf, praticantes de ensino doméstico, educadores de infância e catequistas

“O significado inerente destas formas elementares foi a melhor coisa que já me aconteceu.”

– Joyce Anderson

Facilito Círculos de Tecelagem em qualquer ponto do país, para um mínimo de 8 pessoas e um máximo de 10.

Programa de um Círculo de Tecelagem Aqui.

Onde e quando podes atender um Círculo de Tecelagem Aqui.

Tece o teu Verdadeiro Eu enquanto crias o tecido da tua comunidade!

O teu corpo é um fio que se pode transformar em qualquer coisa. Atreve-te, cria-te!

Um fio pode conter milhares de micro fibras que depois de torcidas se  transformam num corpo, um organismo independente com o qual podemos construir objectos sem fim.

As fibras são uma metáfora para as nossas células, e o fio representa o nosso corpo e a sua plasticidade. Com o nosso corpo podemos criar e re-criar quem somos vezes sem fim. Descobrir as mil e uma maneiras de usar um fio e dar-lhe sentido é o meu trabalho enquanto artista, descobrir como criar e re-criar-me face aos desafios da Vida é o meu trabalho como Ser Humano, ajudar outras pessoas a descobrirem-se e re-criarem-se  é o meu Serviço.

E para ti que lês este blogue há meses e ainda não tinhas percebido bem qual é o meu trabalho, aqui está:

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Entrega e Fé…Manual de Sobrevivência para grandes tempestades.

Eu sei que para quem está a atravessar uma crise falar de Entrega ou Fé pode parecer quase um insulto. Eu já lá estive e apesar de saber a teoria, parecia-me impossível entregar-me. Tanto que me parece que na verdade o processo de cair no abismo é mais difícil do que estar realmente caído. O que dói e o que custa é estar a mergulhar na escuridão e não saber nem quando vai parar, nem o que nos espera no centro da tempestade.

A peça que vocês vêem nas fotos é uma reflexão sobre o “olho da tempestade”. Foi feita a pensar nas pessoas que já sofreram o impensável, mas que ao chegar ao centro do sofrimento encontraram uma luz mais forte e mais cristalina do alguma vez experiênciaram, porque a luz brilha mais forte no escuro.

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Resoluções de Ano Novo e a minha lista de 10 hábitos para aumentar a produtividade.

Eu tenho os meus rituais de fim de ano. Acho importante fazer um balanço do ano que passou, entregar e libertar o ano velho e preparar o novo ano. Normalmente tenho um caderno, onde vou escrevendo na última semana as experiências mais importantes do ano que passou e onde começo a projectar os objectivos para o novo ano. Ao longo do ano os objectivos podem mudar, e é por isso que tenho um caderno só para os objectivos. Sabe-me bem, uma vez por mês rever as minhas metas e reflectir sobre elas.

E talvez o segredo para eu sentir que resoluções de ano novo são um importante investimento do meu tempo, é que eu sou activa com as minhas resoluções, elas não são pensamentos que se perdem no ar enquanto mastigo umas passas. As minhas resoluções são pensadas, ponderadas e revistas todos os meses!

Do meu caderno de resoluções fazem parte: uma lista de hábitos para aumentar a minha produtividade e um mantra para o ano, que venho partilhar com vocês.

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A minha boneca. E a razão pela qual deixei de fazer bonecas personalizadas.

Escrevo o último post do ano com uma partilha muito íntima e um “seak peak” de um projecto de vida que vai tomar forma em 2017.

Comecei o meu percurso artístico a criar bonecas personalizadas. Sempre acreditei que as bonecas eram símbolos ancestrais que representavam a imagem da nossa Alma. E ainda hoje vejo fotos das casas de antigos clientes com bonecas feitas por mim em altares ou locais especiais da casa. E acreditem para mim isso é TUDO!


Sabem, criar algo que seja fiel à energia de uma pessoa que não se conhece é um desafio enorme. Tudo começa por entrar em contacto com a energia da pessoa, trazê-la junto a nós, juntar pedaços de informação intuitiva até uma forma começar a nascer. Depois é verificar se existem as cores, os materiais, quais as técnicas, etc… É maravilhoso mas laborioso. E durante anos amei cada aspecto do processo. Mas porque tudo está em constante evolução, comecei a sentir que estava a sacrificar a minha voz. A minha criatividade era colocada ao serviço dos outros, mas não havia espaço para expressar a minha Alma. Então coloquei-me uma questão muito séria: _ Porque é que fazes trabalhos personalizados, porque não crias os teus próprios trabalhos? E a resposta foi –  Medo.
E perante uma resposta destas, precisei por mãos à obra e trabalhar o meu medo, mexer no meu sistema de crenças, conversar com a voz do meu “Gremlin” interior e fazer-lhe ver que tudo o que crio e ponho à venda já pertence a alguém e que o Universo fará essa pessoa encontrar o que procura.
Redefini a minha forma de servir os outros com a minha arte.

Mas e as bonecas? As bonecas são muito muito importantes para mim, tanto que eu finalmente fiz a minha boneca!

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Esta boneca representa o meu Eu sábio. Ela é portadora da minha voz interior e basta segurá-la nas minhas mãos para eu sentir imediatamente uma sensação de Paz e centro. E sim podia criar bonecas personalizadas com esta energia e tenho a certeza que ajudariam outras pessoas, tal como esta boneca me ajuda a mim. Mas não é isso que vou fazer em 2017, no próximo ano vou ajudar-te a criares a tua boneca com a tua energia e com a voz do teu Eu Sábio. Ela será tão rica e cheia de vida quanto a minha. Esta boneca por exemplo, não é perfeita, jamais venderia uma boneca parecida porque não está ao nível da minha exigência técnica no que toca às coisas que coloco à venda. Mas cada fio, cada escolha está inpragnada com a minha história, com meditações e visualizações que fazem com que esta peça represente o meu passado, presente e futuro.

Então fiquem atentos porque em 2017 vou sair do vosso computador e estarei presente com todo o meu Ser, disponível a deslocar-me onde fôr necessário para vos ajudar a Tecerem a vossa Vida e criarem a vossa Boneca.

Um 2017 maravilhoso para Todos!

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Labirintos, mapas para o nosso centro.

Há qualquer coisa de mágico quando nos propomos a parar os nossos afazeres quotidianos e deliberadamente decidimos caminhar num labirinto. Iniciamos o percurso cheios de expectativas, não sabemos o que vamos encontrar ou se vamos encontrar alguma coisa. À medida que acertamos o passo com o compasso da nossa respiração, vários pensamentos esgueiram-se pela nossa cabeça enquanto o corpo lentamente começa a relaxar. Para o corpo é libertador não ter de pensar no caminho, o caminho já lá está é só percorrê-lo.

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Crianças a caminharem pela Paz numa réplica do labirinto de Chartres – foto por Jayada


De repente nós adultos regressamos à infância, voltamos a sentir que nos podemos entregar e confiar, tal como fazíamos com os nossos pais quando por força da idade entregávamos o nosso destino nas mãos daqueles que tinham todas as respostas. Este sentimento de confiança e guiança interior começa então a passar do corpo, para as emoções até que finalmente aquieta o pensamento.

Quando chegamos ao centro estamos mais calmos e rectos, o batimento cardíaco desacelerou e os pulmões pedem golfadas maiores de ar, transformando a nossa respiração num processo demorado e consequentemente fazendo o oxigénio viajar por áreas mais alargadas do nosso corpo. Esse sentimento de plenitude atingido no zénite do labirinto poderia facilmente ser roubado pela mente quotidiana e a urgência do relógio, mas não; não pode, porque depois de regressar ao centro há-que tomar exactamente o mesmo caminho para regressar.

Ao passar por cada recta e contornar cada curva sensação consumada vai-se assimilando como uma chuva fina que encontra o corpo desprevenido e que carinhosamente vai-se infiltrando nas roupas até chegar à pele, fazendo com que uma qualquer memória ou sensação prevaleça connosco até à saída.

Involuntariamente voltamo-nos de frente para a entrada e entregamos uma vénia sentida de agradecimento por todos os pés que há mais de quatro mil anos, por todo o mundo, percorreram ou percorrem labirintos.

Voltamos a casa sentindo-nos ligados a algo maior que nós.

Queres saber mais sobre labirintos? Tenho um site em português, visita:

http://www.labirintospelapaz.com

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