Solidão, Depressão e saber REALMENTE ouvir o outro.

 A minha família é oriunda do interior de Portugal, e eu cresci com histórias de tempos muito diferentes destes em que vivemos.

Tempos de miséria sim, mas também de uma riqueza  artística e espiritual, fruto talvez do contacto e dependência da terra e dos seus ciclos. Na minha família cada pessoa tinha um papel bem definido em termos culturais. Os meus tios tocavam bandolim e violino, a minha tia dançava, a minha avó era rezadeira e contadora de histórias e todos (apesar das grandes dificuldades) contribuíam para a riqueza cultural da sua comunidade.

E este foi o exemplo e o legado que me deixaram, e acho que inconscientemente todo o meu trabalho foi tecido com as linhas da minha infância, as memórias  das tardes passadas a ouvir histórias aos pés da máquina de costura enquanto eu fazia os vestidos das minhas bonecas.

Quando eles partiram eu senti-me meio órfã e sem referências. Achei que ao viver no campo iria participar naturalmente destas coisas, mas ao chegar aqui vi muita tristeza, e uma solidão ainda maior que a minha. Estas coisas deixaram de ter importância e  as pessoas deixaram de ser ouvidas.

A nossa sociedade carece tanto de ser ouvida. Não estou só a falar dos anciões, estou a falar de todos nós, das crianças aos mais velhos.

Quantas vezes por dia é que nos sentamos completamente presentes a ouvir alguém? Às vezes pergunto-me se a depressão não será justamente um síndrome de uma cultura que deixou de saber ouvir.

Ontem no Festival Origens, estive com o meu Tear da Terra a dar voz à comunidade. Através de gestos tão familiares como cortar tiras de tecidos, ou dobar uma meada para depois a tecer. Criou-se ali um momento de cumplicidade, um estado de presença (tão característico dos trabalhos manuais).  Vi o brilho nos seus olhos e a força na sua voz e vi-me através delas, também eu, no meu silêncio a dar voz à minha tia e à minha avó que me criaram e que me acompanham sempre. Em poucas horas recebi mais do que poderia imaginar.

 

 

Precisamos urgentemente de ouvidores compassivos que ofereçam tempo e espaço para deixar o outro Ser.

Mas não é assim tão fácil…

Passa por um exercício de aprender a marcar limites e ter noção do espaço individual, para a seguir poder haver uma abertura sincera e honesta ao outro, sem pressas ou julgamentos. É um movimento para o centro de si antes de qualquer outra coisa.

E é isto que se aprende num círculo. Voltamos ao circulo…

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A Lua, a produtividade e a aceitação do nosso ritmo pessoal e lunar.

Há alguns anos que tenho andado a observar o meu corpo e o meu comportamento mediante as fases da lua. E é um alívio poder fluir com o meu biorritmo em vez de lutar contra ele, ou ainda que tenha de lutar um pouco contra ele (sejamos realistas, nem sempre podemos fazer só o que a “lua” nos pede), ao menos posso ser compreensiva e amorosa no que toca às expectativas que tenho em relação ao que faço enquanto contrario a minha tendência natural. Ter esta consciência ajuda-me a entender e programar o mês de uma forma criativa e produtiva, e faz toda a diferença não só nas minhas relações pessoais como na forma como me relaciono com o que me rodeia, e acima de tudo  como coopero comigo mesma.

Deixem-me só abrir um parêntesis para vos falar de produtividade:  Durante anos eu evitei ter listas de objectivos e o motivo era simples, elas frustravam-me de tal maneira que em vez de alcançar os meus objectivos eu afastava-me ainda mais deles. Hoje em dia tenho técnicas para criar listas e fazê-las acontecer, o que me ajuda muito, mas o que mudou para mim e fez toda a diferença foi eu ter compreendido que:

Os objectivos têm de me servir, não sou eu que tenho de os servir!

Mudou completamente o meu paradigma, em vez de andar com um chicote na mão, porque não estou a chegar onde eu acho que quero, eu olho para os objectivos como ferramentas que servem o meu propósito, e isto faz muita diferença porque permite-me re-avaliar, questionar e alterar os meus objectivos sempre que é necessário, isto também me permite depositar a minha lealdade não na visão daquilo que eu acho que quero ter ou ser, mas no propósito maior que consiste na pergunta: Como posso colocar as minhas capacidades ao  serviço de mim mesma e dos outros?
E de uma forma geral eu faço esta reflexão mensalmente com a ajuda da Lua e do seu ritmo mensal.

E por falar em Luas, nesta última Lua Cheia, senti uma grande necessidade de orar.

Partilho com vocês a minha oração cantada, um presente encontrado na Internet de uma compositora brasileira que adorei conhecer, não resisti em tomar a liberdade de fazer uma versão minha. Aí fica:

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O círculo, as pessoas, a arte e a sociedade. A mudança que está a chegar.

Num círculo não existem diferenças nem hierarquias ocupamos todos os mesmo lugar. O círculo representa a totalidade, o ciclo, o principio, o meio e o fim em constante movimento e alternância. Na tecelagem o circulo leva-me ao movimento em espiral, tal como o universo, o ADN e o fio (sim fiar é fazer espirais com fibras) espirais dentro de espirais, onde a minha percepção do espaço não é linear, é circular… é diferente, tenho menos controle em termos de planeamento e estética, mas abre-se um espaço para o  inesperado, para o que não se controla.

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E quantos de nós passamos a vida a querer controlar? Controlar a medida em amamos, a medida em que nos deixamos amar, a medida em que sofremos a medida em que tocamos os aspectos mais sombrios e também os mais luminosos da nossa psique.

De todas as formas eu sinto-me mais Eu no circulo, é a minha casa, o meu território.

Trabalho com pessoas há anos. E durante muitos anos eu era a professora, a “performer”, a que estava de um lado e as pessoas do outro, como num triângulo. E funcionava, eu cumpria a minha missão e tirava grande satisfação, mas….

Num círculo eu sou tu e tu és eu

Não existe preponderância de um ou de outro, todos temos exactamente a mesma importância, todos temos voz, todos temos vez.

E assim nasceram os círculos de tecelagem e assim surgem outros projectos paralelos,  todos com a mesma intenção e a mesma vontade.

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Caminhar juntamente com…

…lado a lado.

Um dia esta será a estrutura da nossa sociedade, não sei quando, mas assim será.

E que assim seja!

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