Proteção energética: defesa ou acolhimento? Uma simples questão de semântica que pode mudar a forma como cuidas do teu campo energético.

Quanto mais empática a pessoa, mais dificuldade em aceitar e perceber a necessidade de se proteger. Na verdade eu própria resisti muitas vezes a “proteger-me” dos outros, fosse com que técnica fosse. Sempre o fiz, porque sempre sofri no corpo físico e não só as consequências de não o fazer, mas nunca o aceitei nem compreendi completamente, talvez por isso nunca tenha sentido uma real eficácia nos métodos que utilizava.

O que é que é isto de proteger? Do que é que eu tenho de me protejo afinal? Neste blogue já convidei a Cristina Méga a escrever sobre o assunto e ela fê-lo muito bem, se quiserem relembrar podem ver aqui para recordar, ou saber mais.

Existem muitos e bons argumentos que insistem que devemos proteger a nossa energia e o nosso espaço anímico.  Para a maioria de nós, ao nos protegermos estamos a defender-nos de alguma coisa.

Mas a grande verdade é que pessoas com um nível alto de empatia, naturalmente “acodem” energeticamente pessoas, criaturas, almas, plantas que estejam em dor e sofrimento, afinal faz parte naturalmente do pacote de se ser empático, mas a grande lição que precisamos aprender é que cada Alma (encarnada ou não), merece a dignidade de caminhar pelos seus próprios pés.

Quando eu me perco de mim e entro pelo outro adentro, ou quando permito que o outro se perca de si em mim, ou ainda quando permito que alguém me invada, me retire aquilo que é vital para mim, estou no fundo a assumir o papel de salvadora ou de mártir (atenção que às vezes pode ser mais complicado e bem mais complexo, por favor não generalizem). O importante é relembrarmo-nos que, cada um precisa percorrer o seu caminho para chegar à sua mestria pessoal.

Então, aceitar o nosso papel, estarmos cientes do nosso espaço e dos nossos limites é essencial para termos uma boa higiene energética, de outra forma, podemos estar a fazer um esforço infrutífero ou a cair no extremo oposto que é fecharmo-nos com medo de qualquer coisa que nos “destabilize”. Para que eu me destabilize eu preciso me identificar 15037217_1302453119788590_4695175665484909736_ne acionar a crença de que sou de alguma forma responsável.

E repito: toda a Alma (encarnada ou não), merece a dignidade de caminhar pelos seus próprios pés.  Muitas de nós construímos os alicerces da autoestima assentes na crença de que temos a missão de ajudar, de resolver problemas, de impedir que as pessoas à nossa volta sofram, e como vivemos num mundo cheio de dor, carregamos a dor do mundo, porque no nosso inconsciente existe uma crença profunda de que esse é o nosso papel.

Será que é mesmo?

Eu  já não acredito nisso.

Acredito que empatia pode coexistir e caminhar lado a lado com: liberdade, confiança nas capacidades dos outros, entrega, confiança na sabedoria da própria vida cíclica e acima de tudo com a sabedoria de que às vezes a dor é o caminho para a salvação e saber estar ao lado de quem sofre sem querer resolver, retirar ou ter pena, pode ser extremamente curador para ambas as partes (não digo que fácil, atenção).

Então se formos ao dicionário procurar a palavra proteção, veremos que para além de defender, ela também simboliza, acolher, conter, dar guarida.

Quando me protejo, eu contenho o meu ego, dou-lhe um lugar a partir do qual ele pode se relacionar com o mundo de forma saudável,  acolho e resguardo a minha energia, pois ela não é infinita, também ela precisa de se regenerar, protejo o meu espaço interno, aquele que me permite ter foco e a atenção necessária para ouvir a voz da minha intuição, aquela que sabe quando ajudar e dar a mão e quando confiar que o outro é capaz de se reerguer sozinho.

Proteger o meu espaço anímico para além de um ato de amor próprio é também um ato de humildade. 

Todos os terapeutas que conheço, que com sucesso ajudam o outro,  cultivam com todo o carinho do mundo o seu espaço anímico, cuidam dele como se fosse um jardim pois sabem que é a única forma de serem realmente eficazes na sua missão.

Para além do post da Cristina também fiz um video com um pequeno exercício, que pratico há muitos anos, porque há alturas em que estamos naturalmente mais abertas, mais recetivas e mesmo com todos os cuidados de proteção e higiene energética acabamos por nos sentir “atacadas” ou  esgotadas e assoberbadas. Nessas alturas, faço o exercício do vídeo que aqui partilho. Simples simples e muito eficaz, experimentem.  Para além de limpar e conter o nosso campo energético, também vasculariza o cérebro e promove a circulação de oxigénio por todo o corpo.

Video – https://youtu.be/Qb1uoehWh9o

Fez-vos sentido esta reflexão?

Partilhem.

Abraço com carinho

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Os nossos ancestrais sonham o nosso futuro. Re-ligando os fios da pertença, activando o fogo da criatividade.

Para poder escrever neste blogue todas as semanas artigos que acrescentem algo ao nosso dia-a-dia, que inspirem reflexão e insight, eu própria preciso de ler bastante e de criar espaço dentro de mim para refletir sobre o que leio, para mastigar e digerir a informação.

Dreaming+World+was+formless+In+past+ancestors+roamed+the+earthUm dos livros que ando recentemente a ler e que me foi recomendado pela minha querida amiga e companheira de viagem na Arte de Tecer a Vida, Susan Merrill é o livro: Sacred Instrucions da autora Sherri Michell, a Sheri vive em Maine nos Eua e pertence a uma tribo de índios norte-americanos, o povo original daquela região. Eu tenho saboreado este livro bem devagar, ao falar da diáspora do seu povo, das suas crenças e da sua mitologia tão ligada à Terra, a Sherri tem-me feito pensar nos laços que nos unem a todos, e acima de tudo nos laços que me unem à minha terra e aos meus ancestrais.

Na Astrologia é a casa 4 e a Lua que me dizem como me relaciono com os meus ancestrais, o elemento do signo que abre a casa 4 pode indicar como me relaciono e  posso comunicar com a minha linhagem ancestral, pode dar pistas junto com outros elementos do mapa do meu papel na cura da minha linhagem ancestral.

No livro de que falo, a Sherri conta a história de uma amiga que ao repatriar os ossos de um ancestral, foi visitada pelo seu espírito e este disse-lhe que os ancestrais estavam ao seu lado sonhando-a no futuro; os seus ancestrais tinham vivido por ela, morrido por ela e agora estavam a sonhar por e para ela.

Isto ressoou tão fundo dentro de mim! Pensei nos laços de amor que me unem ao meu pai, à minha avó e avô, aos meus tios, e fez-me todo o sentido. O meu Pai partiu quando eu tinha 13 anos e no momento que soube da notícia tive uma rasgo de sobriedade onde foi mesmo essa a mensagem que me chegou, ele iria se juntar ao meu anjo da guarda e guardar o meu futuro, sonhar o meu futuro comigo. Durante toda a minha adolescência senti a sua mão protetora, como uma presença discreta. No entanto a Sherri refere-se não só aos parentes mais próximos  mas a toda a uma linhagem, a uma tribo. E isso confesso que é novo para mim,  até há  uns 8 anos eu não pensava assim tanto em genealogia, agora faz-me todo o sentido, todo! Trabalho com muitas mulheres onde o condicionamento genealógico se vê, se sente e é um grande tema de vida. Vejo muitas vezes com emoção curas espontâneas que abrangem tantas ramificações que de facto poem-nos a pensar nesta ilusão que temos, de que estamos separadas, de que as consequências dos nossos actos afectam apenas o imediato, um espectro limitado de anos ou apenas uma ou duas gerações.

Esta na verdade parece-me a grande diferença entre nós e os povos indígenas. Eles sentem-se ligados a todas as gerações que já vieram e às que hão-de-vir, ao passo que nós normalmente andamos duas gerações para trás e duas para a frente.

É este sentido de pertença que tanto me atraí, e vejo tantas vezes no vazio, fragmentos isolados de uma memória genealógica perdida,  tantas vezes espelhado nos mapas das Senhoras da Teia da Vida que me procuram, tantas vezes ligados aos nódulos lunares, a Plutão, a Vénus e à Lua. É esta vontade de nos trazermos de volta, de nos sentirmos inteiras em nós mesmas e ligadas ao Todo que nos faz a todas, partilharmos aboriginal-art-ideas39esta viagem juntas e estarmos aqui para nos ensinarmos e inspirarmos umas às outras.

Mas este livro fala ainda de um outro elemento sobre o qual tenho me debruçado há bastante tempo, e sobre o qual vou falar no círculo de astrologia sobre os elementos.

O Fogo, na Astrologia o fogo é o senhor do estado criativo puro, das imagens que dão origem à manifestação. Seja nas qualidades de Carneiro, Leão ou Sagitário, cada um destes signos é motivado por uma qualidade de imagem, ou de sonho criativo, a acção  propulsora tem como origem uma imagem, um sonho. Este é o tipo de sonho que o ancestral da amiga da Sherri se referia, os nossos ancestrais sonham-nos através do fogo. E nós? Com o que é que sonhamos?

Como vocês sabem eu vivo numa região de fogos, todos os anos vejo na 1ª pessoa o resultado devastador de um fogo descontrolado, e tenho pensado muito na força do fogo tenho prestado redobrada atenção ao fogo dentro de mim e ao fogo que me é dado a observar nas pessoas com que me relaciono. A minha conclusão é que temos cada vez mais medo de sonhar. Talvez porque as previsões para o futuro não sejam animadoras, e se não são animadoras não nos atrevemos a sonhar longe, e se não nos atrevemos a sonhar longe tomamos decisões a curto prazo, e esta bola de neve rapidamente se irá desfazer contra uma parede de fogo, pois o fogo sendo energia pura, se não encontra um mestre que o domine, começa ele próprio a dominar, a alimentar-se dos medos dos homens e quanto mais medo temos, mais incontrolável fica esta força no astral.

Assim como o fogo, a imaginação também é uma força poderosa que sem mestre se pode tornar incontrolável (os ataques de ansiedade são fruto de uma imaginação descontrolada), na verdade a imaginação é filha do fogo. Primeiro imagino e depois parto para a acção. Primeiro criamos uma imagem, trazemo-la para o campo da possibilidade, respirando vida para dentro do corpo da possibilidade , até lhe dar forma, e assim a obra nasce.

Durante séculos estas imagens eram mantidas vivas através das histórias, passadas de geração em geração. Hoje em dia parece-me que uma nova mitologia está a nascer, não separada mas filha das antigas mitologias. Há novas histórias que precisam ser contadas, há sonhos que os nossos ancestrais estão a sonhar por nós que precisam da nossa criatividade para poderem ver a luz do dia, para se poderem revestir de matéria e nós precisamos escutar as suas vozes. Nós precisamos de unir os nossos sonhos aos deles.

Acredito cada vez mais que o futuro da nossa espécie depende disso.

Então parece-me que aprender a sonhar em conjunto é muito importante.

Dar voz às novas histórias, a novas imagens também.

Como podemos sonhar o futuro da raça humana? Como podemos sonhar com os nossos ancestrais o futuro da nossa existência? Como podemos oferecer o lugar do medo ao Amor?

Estas são as perguntas do futuro! E estas são perguntas bem uranianas acredito que nesta passagem por Touro este sonho dos ancestrais está a pedir a Terra de Touro e o ideal (que vem de ideia) de Úrano. Este é um tempo de respirar (Ar) para o sonho, dar-lhe vida (matéria).

Vamos sonhar juntas (os), vamos criar juntas (os).  Nós somos a ponte entre o passado e o futuro das gerações que virão!

As inscrições para os círculos de astrologia sobre os 4 elementos estão abertas, mas são limitadas, vê aqui, se sentes o chamado.

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Lua Nova de 15 de Maio, a entrada de Úrano em Touro e o elo que precisas reclamar de volta à tua vida para poderes fazer pazes com a Natureza, a tua e a nossa.

Esta Lua Nova representa um recomeço para todas  nós que sentiram esta última Lua Cheia de forma intensa. É como se na última Lua tivéssemos passado pelo crivo,  se tivéssemos sido peneiradas de todas as poeiras, de todas as partículas agregadas que já não faziam sentido. Há uma mudança forte a acontecer dentro de muitas de nós, silenciosa, paciente, desde o último Verão, na verdade muitas de nós estão a chegar ao final de um ciclo e esta Lua Nova representa a última etapa até ao novo recomeço.

Para quem viveu a Lua Cheia intensamente, esta Lua Nova é a altura de com toda a consciência fazer escolhas, sabendo que com a entrada de Úrano em Touro vamos ser chamadas para a Verdade na área da nossa vida regida por Touro. Uma das facetas de Touro que pouco se fala é a ligação ao prazer, o prazer de habitar o corpo físico, o prazer que nos chega através daquilo que os cinco sentidos abarcam, o prazer de estarmos encarnadas na matéria e de nos relacionarmos com ela, em Touro nós aprendemos a apreciar a nossa existência terrena, e os recursos que temos para a usufruirmos.

Agora vamos lá ser honestas…

Até que ponto nos permitimos de verdade receber prazer? Sem nos preocuparmos se o merecemos, se é certo errado ou o que for?

Quando tempo por dia nos permitimos de uma forma honesta e verdadeira, conectarmo-nos com a nossa natureza? Só porque sim, não porque vamos ter benefícios, não porque o livro assim o diz, mas simplesmente porque nos sabe bem? Sem medo e sem julgar se é certo ou errado, aceitando a nossa natureza humana com a compaixão de uma mãe sábia que sabe que a filha jovem só pode crescer experimentando, experimentando-se.

Quando tempo dedicamos à contemplação do belo? É porque a contemplação também é do domínio de Touro e precisamos dela para conseguirmos mergulhar dentro de nós.

Acredito que um dos grandes perigos da nossa cultura actual é  o afastamento do prazer. Sim do prazer! Acho que a maioria de nós não sabe realmente o que lhe dá prazer, temos uma imagem cristalizada do que é o prazer, nem nos apercebemos que a nossa relação com o prazer está (como tudo o resto) sempre a mudar. Para termos prazer temos de parar de quando a quando e fazer a pregunta: O que é que me dá prazer? Eu sei que estou a ter prazer quando fico enraizada, ligada ao corpo e às minhas emoções  e acima de tudo  com a sensação de transcender as minhas  limitações sejam elas de que origem forem. Quando sinto prazer o tempo pára e o resto passa para segundo plano, inclusive a dor; o prazer tanto nos traz para o corpo (matéria) como nos faz  transcende-lo (eixo Touro/Escorpião).

A sensação que tenho é que a nossa relação com o prazer tornou-se tão efémera quanto a nossa relação com os objetos descartáveis, passamos pelo prazer muitas vezes sem o respirar, sem o incorporar, sem o absorver através de todos os sentidos, tomamo-lo como garantido, tal como a roupa que vestimos e a comida no nosso prato, é tão garantido que cada vez lhe prestamos menos atenção, até que chega a hora em que deixamos de saber recebê-lo e pior ainda, de saber reconhece-lo. Estamos tão afastadas do verdadeiro prazer enquanto cultura, que criámos um modelo de educação que afasta as crianças da relação saudável com o prazer, fechámos-las em salas, cortámos a sua ligação ao corpo e aprisionámos a sua essência nas suas cabeças. E como vão elas relacionar-se com o prazer? Da mesma maneira que nós, através do que a sociedade nos diz que dá prazer, e não através dos nossos corpos, dos nossos sentidos.

E sim…acho que se nós tivéssemos uma ligação saudável ao prazer seria impossível termos chegado ao nível de dissociação com a natureza que chagámos.

Então nesta Lua Nova desafio-vos a escreverem numa folha de papel uma lista das coisas que vos dão prazer, sem culpas, sem constrangimentos culturais ou sociais. Sejam honestas com a vossa relação com o prazer e incluam-no nas vossas invocações para esta Lua Nova, porque sejamos honestas… Touro rege os recursos, os valores, o dinheiro, a abundância, o alimento, mas muitas pessoas pelo mundo fora têm todas estas coisas, e ainda assim se sentem deprimidas e ainda assim acordam de manhã sem fazer a minima ideia do que as faz feliz, achando que precisam de mais…sempre mais. Então em vez de invocarmos mais coisas nesta Lua Noa, porque não invocar  a capacidade de nos contentarmos e sabermos realmente usufruir do que já temos?

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Eu olho para esta paisagem e sinto-me rica, rica por fazer parte de toda esta imensidão. Pois a minha abundância é a abundância da terra que habito, a abundância das pessoas com que me relaciono, os meus recursos são os teus recursos, são nossos, e sendo nossos não nos pertencem.

Que a passagem de Úrano por Touro nos ajude a passar do “Eu tenho…” para o “Eu usufruo de…” –  a semântica muda tanta coisa não é?

Abraço com carinho

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“Remembering ourselves home” – Quando és chamada de volta a casa, segue o rasto da tua Lua Natal e do teu nódulo Sul.

A maioria de nós nasce num invólucro protector, uma camada fina de amor que nos protege e delimita, que faz com que o gigante mundo desconhecido de som, luzes e sombras não nos engula. Nascemos com a certeza que pertencemos ao cheiro e à voz das nossas mães, pois é isso que conhecemos quando passamos das águas do liquido amniótico para o ar da atmosfera terrestre,  à medida que vamos crescendo esse invólucro etérico vai-se ampliando, acompanhando os nossos passos pelo mundo até que chega a uma altura (e esta altura está a acontecer cada vez mais cedo), que rompemos com o invólucro protector, para partimos à descoberta do mundo por nós próprias.

É curioso como se chega à meia idade com a certeza que aquilo de que fugimos na adolescência acaba sempre por nos encontrar na vida adulta. Os padrões, as crenças, os valores do nosso berço vão sempre aparecer refletidos nas nossas experiências de vida de uma forma mais ou menos evidente, e muitas vezes é na fricção entre a visão que achamos ter para nós e a Visão Original que nasceu connosco que nos deparamos com os grandes paradoxos da vida, onde a nossa educação, as nossas crenças e o nosso coração nem sempre cantam em harmonia uns com os outros.

A verdade é que por mais que queiramos acreditar que a nossa história é nossa, ela não é exclusivamente nossa. Fazemos parte de um  Todo, somos fios que se cruzam no tecido da grande tapeçaria cósmica, fazemos parte de algo maior. E isto pode trazer-nos tanto desespero como paz. Por um lado, saber que o meu destino não está inteiramente nas minhas mãos pode fazer-me sentir sem controle sobre o que acontece na minha vida, por outro pode trazer-me paz, pois sei que não depende só de mim.

Então os livros de auto-ajuda dizem-nos que somos responsáveis pela nossa realidade, e sim somos responsáveis claro: pela maneira como escolhemos viver a nossa realidade, pela forma como  vamos agarrar nas matérias primas que trouxemos para este mundo e as vamos conjugar, recriar e fazer algo de novo e único. Mas não podemos carregar nas nossas costas toda a responsabilidade de tudo o que nos acontece, essa seria uma visão bastante egocêntrica do mundo não, colocar-nos-ia numa ilha isolada.

A verdade é que a vida é composta de grandes mistérios, uns poder-se-ão revelar, outros continuarão a ser mistérios como sempre foram.

“Remembering ourselves home” é o título de um livro que ainda não li, mas que me chamou a atenção pelo título, este título é mágico. Não há uma tradução que eu consiga fazer para português que capte tudo o que ele encerra. Relembrarmos do caminho para casa, é uma possibilidade mas não capta a profundidade do Inglês. Este título fala-me das minhas ancestrais, da minha mãe, das minhas avôs e da minha tia, de onde eu venho, da minha tribo (eu sinto que esta tribo nem sempre tem de estar diretamente relacionada com a família da mãe ou do pai, mas terá sempre um vínculo forte à nossa infância, aos nossos cuidadores e protetores). A minha tribo não é perfeita, vivo e debato-me com as crenças, a genética que herdei dela e às vezes  parece-me mais um fardo pesado que outra coisa. Vivo a mágoa (ainda) de ter tido a infância que tive e não uma diferente, de trazer tantos padrões que me limitam tanto e que (acho eu) me atrasam a caminhada. Mas quando penso em casa penso no carinho, no amor, na proteção e na sabedoria destas mulheres. Penso na força, na coragem e resiliência que herdei e até mesmo nos desafios, aqueles que elas não conseguiram ultrapassar nesta existência e que talvez eu consiga resolver pelo bem de todas, penso na minha sobrinha e nos desafios que lhe estarão destinados, aqueles que provavelmente também deixarei por resolver e na beleza de não estar só com o meu fardo, de não estar só com a minha dor.

A verdade é esta: não estamos sós neste mundo!

Vivemos tempos estranhos onde imagens flash de suposta perfeição e sabedoria nos chegam de todos os cantos, a comida perfeita e saudável, a frase espiritual inspiradora, a sabedoria de 3 minutos, parece tudo tão fácil. Não há nada que o google não ensine, e no entanto nunca fomos tão vazios, tão ansiosos e tão despreparados para o futuro. Todo o meu corpo me diz que a Humanidade vive neste momento níveis de medo altíssimos, com nunca viveu anteriormente, nem mesmo na face das grandes guerras e epidemias. O escalar das doenças mentais comprova-o.

Numa era onde temos o conhecimento na ponta dos dedos estamos a perder o discernimento, a capacidade de confiar em nós, na nossa sabedoria, na sabedoria da nossa família, dos nossos ancestrais. Achamo-nos tão diferentes dos nossos pais que nem paramos para os ouvir, parámos de pedir conselhos aos nossos  anciãos e passámos a pedi-los a estranhos, ou pior ainda a importar conselhos de pessoas que falam para o geral, sem nos ouvirem, nem nos olharem nos olhos.

Encontrar o caminho para casa é urgente para todas nós, por nós, mas acima de tudo pelos nossos filhos. Como podemos ensinar às nossas crianças a caminhar na Terra com amor e bondade se não estamos ligados a ela, se temos cada vez mais medo, se nos encolhemos cada vez mais quando ousamos olhar para o “negro futuro” de nos falam a toda a hora? Se passamos pelos grandes festivais anuais sem saber sequer o que eles significam, sem os aproveitar para nos ligarmos aos laços que nos unem às nossas tradições, à nossa cultura, ao nosso berço afetivo e ancestral, àqueles que do lado de lá do véu torcem por nós, sonham connosco.

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Encontrar o caminho para casa na Astrologia passa pela nossa Lua Natal, pela nossa casa 4 e pelo nosso nódulo Sul, por estes lugares no nosso mapa natal que nos falam de onde viemos e da nossa relação com os nossos ancestrais, passa por alimentar esta Lua, nutri-la, cuidar dela, que há-de ser diferente de pessoa para pessoa. Passa por honrar o nódulo Sul (o sitio no mapa que nos fala de onde viemos), com todas as quadraturas, as oposições, as intensidades e as incongruências características dos nódulos lunares. Para caminharmos rumo ao futuro visionado pela nossa nossa Alma é essencial alinharmo-nos com a nossa origem, respeitá-la, aceitá-la e honrá-la, apesar da dor e do desconforto. Para muitas pessoas não dá para dizer simplesmente: perdoo-te mãe, ou aceito-te pai…  mas não de trata de perdoar, trata-se de reconhecer, de trazer para a consciência, de honrar os fios que nos teceram, a história que nos trouxe até aqui, de escolher o que fazer com os materiais que nos deram à nascença, de ter voz, de ter o poder de decisão, de reclamar o caminho de volta a casa, de reclamar o direito a caminhar nesta vida enraizadas e alimentadas pela Terra e por tudo o que ela nos ensinou ao longo dos séculos.

Sejamos Universais sempre, com ramos bem altos, copas bem vastas, mas tenhamos nas nossas raízes o nosso sustento, o nosso lugar, um sítio onde voltar quando a roda da vida completar o seu ciclo e nós precisarmos de começar tudo outra vez…

Façamo-lo juntas, em círculo.

Abraço a todas!

Para o mês que vem vou começar um ciclo de círculos de Astrologia sobre os 4 elementos, se quiseres saber mais clica aqui.

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Círculos de Astrologia – os 4 Elementos: Fogo, Terra, Ar e Água e o seu papel nas nossas fundações e na nossa natureza.

 

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Os Círculos de Astrologia acontecem num ambiente intimo de aprendizagem, vivência e partilha, de forma a proporcionar ferramentas para um trabalho individual com cada um dos elementos através do mapa natal. As vagas são por isso limitadas.

A cada círculo abordaremos o elemento em questão, a sua natureza e a sua expressão através dos signos e a sua falta/excesso no mapa.

A cada participante será dada uma cópia do mapa natal e a cada circulo cada participante terá a oportunidade de adquirir ferramentas para iniciar um olhar mais aprofundado e terapêutico do seu próprio mapa, assim como uma base para começar a olhar para as suas relações através da natureza da dança dos elementos entre si.

Desta forma estes encontros poderão servir tanto de iniciação ao estudo da Astrologia como disciplina de autodesenvolvimento quanto de aprofundamento dos conhecimentos básicos da prática astrológica.

Abordar cada um dos elementos em profundidade e em Círculo possibilita uma aprendizagem mais completa e integrada acerca da natureza não só de cada elemento, mas também da expressão mais elementar de cada um dos signos.

Este é o começo de um caminho que passa por entender a linguagem arquetípica da Astrologia usando o sentir e o experienciar, aliados ao entendimento intelectual.

1º Circulo – Fogo 

Elemento impulsionador, falaremos sobre Vontade, Iniciativa, Inspiração e Criação, assim como destruição e purificação. Abordaremos a qualidade do Fogo nos signos de Carneiro, Leão e Sagitário.

2º Circulo – Terra

Estrutura, alimento, estabilidade, abundância e prazer, abordaremos a nossa ligação ao corpo físico, aos nossos ossos e às estruturas que construímos e às vezes precisamos desconstruir. Falaremos da qualidade da Terra nos signos de Touro, Virgem e Capricórnio.

3º Circulo – Ar 

Respiração, abertura, horizontes e estrutura mental, abordaremos a nossa relação com as ideias e os estímulos mentais, os excessos e a falta de ar na nossa vida. Falaremos das varias qualidades do Ar através dos signos: Gêmeos, Balança e Aquário.

4º Circulo – Água 

Utero, memórias, inconsciente, emoções, falaremos da comunicação fluida e misteriosa da água, da forma e falta de forma, abordaremos as qualidades da Água através dos signos: Caranguejo, Escorpião e Peixes.

Lisboa
19 de Janeiro – das 10h30h às 13h00 – Circulo Fogo / das 14h30 às 16h00 – Circulo Terra
20 de Janeiro – das 10h30h às 13h00 – Circulo Ar / das 14h30 às 16h00 – Circulo Água

Oliveira do Hospital
26 de Janeiro – das 10h30h às 13h00 – Circulo Fogo / das 14h30 às 16h00 – Circulo Terra
27 de Janeiro – das 10h30h às 13h00 – Circulo Ar / das 14h30 às 16h00 – Circulo Agua

Valor de Troca: €60 + Inscrição: 20€ ( a vaga só ficara reservada após a receção do comprovativo de pagamento).

Todas as participantes obtêm um desconto de 20% na marcação de uma consulta de Astrologia comigo.

Inscrições em breve

Até breve

Com carinho

Ana Alpande